China quer encabeçar combate ao aquecimento global

As autoridades chinesas garantem que a eleição de Donald Trump para a presidência norte-americana não vai afectar o compromisso assumido por Pequim tendo em vista o combate ao aquecimento global. Os representantes chineses na Cimeira do Clima, em Marrakech, garantem que o Governo Central continua apostado em direccionar a sua economia para uma economia baixa em carbono.

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A recente vitória de Donald Trump, um negacionista do aquecimento global, nas eleições presidenciais norte-americanas deixou muita gente boquiaberta na Cimeira do Clima de Marrakech, não obstante o facto da maioria dos países ter reafirmado o seu apoio ao combate a aquecimento climática, uma causa que a China parece agora estar disposta a encabeçar.

“Nenhum movimento do Governo dos Estados Unidos da América vai deter a transição da China para uma economia baixa em carbono”, assegurou no sábado um membro da delegação que representa o gigante asiático no certame de Marrakech.

“Essa transição é um movimento irrefreável que não vai abrandar apenas porque há um novo governo nos Estados Unidos: os esforços da comunidade internacional na luta contra as alterações climáticas não vão ser travadas”, insistiu a mesma fonte, em declarações à agência Efe.

Em declarações à agência noticiosa espanhola, uma negociadora da União Europeia reconhece que o triunfo eleitoral de Trump constituiu um “balde de água fria” para boa parte dos negociadores dos quase 200 países que discutem, em Marrakech,  “o livro de regras” que deverão nortear a aplicação do Acordo de Paris, recentemente entrado em vigor. A representante de Bruxelas recorda com preocupação como o desdém do antigo presidente norte-americano George Bush pelo protocolo de Quito incitou uma série de países em vias de desenvolvimento a ignorarem ou a diminuírem a importância do tratado.

O novo presidente eleito dos Estados Unidos da América defendeu publicamente que as alterações climáticas não são mais que “uma farsa inventada pelos chineses para ganhar competitividade”. Durante a campanha, Trump prometeu mesmo que iria cancelar  tanto a ratificação do Acordo de Paris por parte do Governo de Washington, como também recuar no pagamento das ajudas prometidas pela administração Obama aos programas de combate ao aquecimento global da Organização das Nações Unidas.

Trump anunciou entretanto que entre as primeiras dez medidas que tenciona tomar quando chegar à Casa Branca está o cancelamento das próximas tranches de pagamento aos programas da ONU. Mesmo que a administração republicana não recue na intenção de cancelar a ratificação do Acordo de Paris, a decisão de não contribuir financeiramente para o combate ao aquecimento global pode colocar em cheque os esforços alcançados na capital francesa no final do ano passado, uma vez que os Estados Unidos da América, juntamente com a Noruega, são quem mais contribui para a causa. A administração Obama comprometeu-se com um financiamento de três mil milhões de dólares até 2020, do qual pagou 500 milhões até ao momento.

Especialistas legais ligados à fundação norte-americana Word Resources Institute explicaram à agência Efe que a eventual saída do Acordo de Paris por parte dos Estados Unidos da América pressupõe o pontapé de saída num processo que se pode arrastar por pelo menos quatro anos e que tem a si inerente a obrigação de abandonar a própria Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima, a que Washington pertence desde a criação do organismo, em 1992.

 

 

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