Agnes Lam alerta para necessidade de promover maior participação da população nas eleições

 

A associação Energia Cívica de Macau organizou ontem uma mesa redonda para debater os níveis de participação nas eleições. Agnes Lam defende que é preciso uma maior participação para que não seja apenas um quarto da população a tomar as decisões pelo todo.

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João Santos Filipe

As eleições norte-americanas e a vitória de Donald Trump foram ontem o cenário de partida para analisar a realidade eleitoral do Território, numa iniciativa organizada pela associação Energia Cívica de Macau, que teve lugar na Livraria Portuguesa. Entre os temas debatidos na mesa redonda, foi questionada a taxa de participação eleitoral em diferentes jurisdições, incluindo na RAEM.

“Actualmente toda a gente está assustada porque Trump pode ter um controlo agressivo como presidente, até porque é isso que os seus votantes nos dizem. Mas nós também precisamos de nos preocupar com as nossas eleições”, disse Agnes Lam, fundadora da associação e moderadora da mesa redonda.

“Se olharmos para os resultados norte-americanos ou o Brexit, apenas um quarto dos eleitores votou no candidato vencedor. É mais ou menos o mesmo caso no Reino Unido, onde apenas um quarto dos eleitores decidiu a saída da União Europeia”, explicou.

“O caso de Macau é mais ou menos semelhante, onde apenas metade dos eleitores vão às urnas. Queremos perceber melhor a razão desta realidade. Apesar de haver críticas constantes ao sistema democrático, a verdade é que na maior parte das vezes ele não é utilizado”, defendeu.

A académica frisou igualmente que os eleitores quando optam por não votar estão a perder a oportunidade de melhorarem a situação política ao participarem activamente no sistema:  “Existem casos em que as pessoas não votam porque não se sentem satisfeitas. Pode haver casos desses em Macau, no Reino Unido e Estados Unidos. Mas a questão é que se votassem poderiam ser mais felizes”, defendeu. “Nestes casos, se votarem talvez as coisas não melhorem para si imediatamente, mas podem melhorar para os seus filhos. Queremos recordar às pessoas que existe uma hipótese de mudar a sociedade através deste sistema simples”, acrescentou.

No próximo ano realizam-se as eleições para a Assembleia Legislativa, sendo que no passado a associação Energia Cívica de Macau apresentou uma lista candidata, cenário que se deve voltar a verificar este ano, apesar de Agnes Lam não confirmar essa possibilidade.

 

Partidos pouco representativos

 

Além de Agnes Lam, estiveram presentes na mesa redonda para debater a participação eleitoral nos diferentes sistemas outros académicos como Camões Tam, Pan Lei ou Eilo Yu.

 

Por sua vez, Camões Tam explicou que os resultados eleitorais no Estados Unidos eram previsíveis, justificando tal facto com os votos envergonhados e a noção de uma maioria branca anglo-saxónica que não se sente ouvida nem protegida: “Não estou nada surpreendido. Fui o único comentador em Hong Kong e Macau que previu que o Donald Trump iria vencer esta eleição”, afirmou à margem do evento. “Na década de 80, em Taiwan, a maioria da população também não admitia que apoiava a independência. Por isso era necessário adicionar entre 5 a 10 por cento nas intenções de voto, para corrigir os previsíveis resultados”, contou.

O comentador político explicou depois que esta era uma realidade que se podia aplicar aos EUA, quando a dois dias das eleições as sondagens apenas davam Hillary Clinton à frente com 2 ou 3 por cento das intenções de voto: “Em alguns dos estados onde Trump ganhou é onde se sente o maior declínio económico. As pessoas acharam que tinham de mudar em relação à mudança prometida por  Obama”, defendeu Camões Tang.

“Há mais de 20 anos que a globalização tem vinda a mudar a vida destas pessoas [brancos com ascendência anglo-saxónica] de forma bem acentuada, sendo que elas sentem-se em declínio económico. É algo que também se sente no Japão e na Europa. A vitória em Trump mostrou que estas pessoas consideram que os partidos já não os estão a representar”, frisou.

 

 

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