Confrontos entre tríades deixaram dois feridos em Timor-Leste

Os desacatos, que resultaram ainda na destruição de cinco casas, decorreram no fim-de-semana passado na zona de Hera, nos arredores de Díli. O episódio envolveu membros de duas organizações rivais de artes marciais.

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Duas pessoas ficaram feridas e cinco casas foram queimadas na última vaga de confrontos entre grupos rivais de artes marciais na zona de Hera, a cerca de 10 quilómetros a leste de Díli, confirmou à agência Lusa o comandante da polícia timorense.

“Foram ainda destruídas duas motas e danificada uma terceira. Conseguimos capturar oito pessoas e emitimos mandados de captura para 10 outras”, disse à Lusa o comandante da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL), Júlio Hornay.

Os confrontos ocorreram entre grupos rivais vizinhos na zona de Hera no passado fim-de-semana, segundo explicou, começando depois de circularem vídeos com combates no Facebook: “Eles colocam vídeos no Facebook em que se provocam e depois há vinganças. Neste caso foi mais grave porque queimaram várias casas”, explicou o responsável policial.

Nos últimos meses têm circulado pelas redes sociais vídeos que mostram confrontos entre elementos de grupos rivais de artes marciais, tanto em Timor-Leste como na Irlanda, onde estão imigrados muitos jovens naturais de Timor-Leste. Esses confrontos suscitaram já alertas das autoridades irlandesas que tiveram que intervir em alguns casos, detendo e levando a julgamento alguns timorenses.

Apesar de esforços repetidos das autoridades timorenses para controlar o problema dos grupos de artes marciais – equivalentes às tríades locais – os confrontos são regulares, envolvendo membros de três grupos: Korka, Kera Sakti e PSHT (Persaudaraan Setia Hati Terate).

Fundada em Java Oriental, na Indonésia, em 1922, a PSHT tem actualmente mais de um milhão de membros naquele país, bem como elementos na Malásia, Singapura, Holanda, França e Portugal, entre outros.

Em Timor-Leste, onde a PSHT chegou em 1983, a organização tem cerca de 3.500 “gurus” – os instrutores mais graduados – com mais de 30 mil membros em todo o país. A Korka e a Kera Sakti têm milhares de apoiantes.

Há pelo menos dois partidos timorenses com ligações aos grupos de artes marciais que têm entre os seus praticantes antigos e actuais membros do Governo e outras individualidades timorenses. A organização Fundação Mahein (FM), que monitoriza a situação de segurança em Timor-Leste (entre outros aspectos) já alertou por várias vezes para os riscos em algumas zonas de Díli dos confrontos entre grupos rivais.

Este é um problema recorrente em Timor-Leste e já em 2002 e 2003 as organizações de artes marciais viram-se envolvidas em incidentes idênticos, com conflitos e rivalidades antigas.

Em Janeiro de 2015, o então primeiro-ministro Xanana Gusmão presidiu a uma cerimónia em que cerca de 290 elementos da polícia (PNTL) e forças armadas timorenses (F-FDTL) que participavam em grupos de artes marciais, foram obrigados a renovar o seu juramento ao Estado.

 

 

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