Donald Trump vence eleições e vai ser o 45.º presidente dos Estados Unidos da América

Imune a escândalos, polémicas e sondagens negativas, Donald Trump convenceu os eleitores norte-americanos. O candidato republicano vai ser o 45.º presidente norte-americano, depois de ter derrotado Hillary Clinton na corrida para a Casa Branca.

 

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João Santos Filipe

Com mais de 270 votos no colégio eleitoral, Donald Trump arrebatou a vitória nas presidenciais norte-americanas e vai ser o próximo presidente dos Estados Unidos da América, sucedendo a Barack Obama. O triunfo do candidato republicano foi ganhando consistência ao longo da noite eleitoral norte-americana, à medida que foram sendo conhecidos os resultados em estados como a Florida – que se esperava que entregasse a vitória a Hillary Clinton –o Ohio e a Pensilvânia.

O resultado acaba por ser surpreendente uma vez que as sondagens mais recentes indicavam que seria Hillary Clinton que venceria as presidenciais, ainda que por uma curta margem. A cereja no topo do bolo para os republicanos foram as maiorias alcançadas no Senado e na Câmara dos Representantes: “O eleitorado quando se sente ignorado pelos políticos durante um longo período de tempo tem tendência a tirá-los do poder e trazer alguém que diz o que os eleitores querem ouvir. Donald Trump soube fazer isso com uma grande mestria e as pessoas consideram que ele não é um político”, disse Bruce Rodney Hall, académico norte-americano residente em Macau, ao PONTO FINAL.

“Na sua grande maioria a classe operária, mas não só esta classe, depara-se com uma tendência económica na qual não tem um aumento salarial há alguns anos, sente que os seus postos de trabalho estão a ir para a China, que perde com os acordos de comércio livre e que ninguém os ouve. Se as pessoas sentem que foram deixadas para trás, procuram quem os oiça”, explicou o professor da Universidade de Macau, que fez questão de sublinhar que não votou em nenhum dos dois principais candidatos.

 

Desilusão com vitória de Trump

 

Esta visão não é partilhada pela norte-americana Rachel Wardally-philbert, que reside em Macau há nove anos. Na sua opinião, Trump foi eleito com o voto daqueles que vivem em condições mais favoráveis.

“Tenho a certeza que esta vitória não é consequência do facto das pessoas não se sentirem ouvidas. As pessoas que votaram em Trump são a maioria e são bem pagas e têm rendimentos acima da média das pessoas que vivem na América”, disse, ao PONTO FINAL.

“Estou muito triste com este resultado porque os pobres, a classe-média, os latinos e afro-americanos não vão ter os seus direitos protegidos nem uma forma de saírem da pobreza a partir do momento em que Trump assumir a presidência”, acrescentou Rachel Wardally-philbert.

 

Desilusão foi igualmente o sentimento de Linda Switzer, americana que vive em Macau e que trabalha numa operadora de jogo. Switzer é originária do Midwest, zona dos EUA que engloba estados como o Ohio, o Nebraska, o Iowa ou o Illinois e é supostamente a área mais afectada pela fuga de empregos e alterações económicas. Foi em alguns destes estados que Trump conseguiu o apoio necessário para triunfar:  “Fiquei chocada com as limitações intelectuais do povo americano. Venho da zona do Midwest e por isso conheço bem os preconceitos que ainda existem, mas pensei que éramos melhores do que isto”, afirmou Switzer, ao PONTO FINAL.

“Estamos todos frustrados com o sistema, mas eleger alguém tão mal preparado para nos liderar e representar é chocante. Pensar que mais de 50 por cento dos nossos cidadãos votaram num homem que é racista, misógino, xenófobo e um ‘bully’ é horrível”, frisou.

 

Trump com postura diferente após eleição

 

Se durante a campanha Trump teve um discurso duro, frontal e agressivo, agora que está a semanas de assumir a presidência norte-americana, o seu comportamento é capaz de sofrer alterações. Até porque o discurso de vitória foi de união, ao contrário do que fez na campanha:  “O discurso de vitória já foi bem mais moderado. Espero que as pessoas que estão à sua volta possam moderar a forma como ele vai utilizar o poder”, declarou Kelsey Wilhelm, jornalista norte-americano em Macau, que apoiou a candidatura de Hillary Clinton.

“Trump tem quatro anos para desenvolver um futuro positivo para os Estados Unidos por isso espero que oiça os conselhos das pessoas bem informadas e que modere as suas reacções e discursos”, acrescentou.

No entanto, o jornalista e músico defendeu que o eleitorado norte-americano perdeu credibilidade ao eleger uma pessoa com o carácter de Donald Trump para o lugar actualmente ocupado por Barack Obama.

 

Mais patrulhamentos no Sul do Mar da China

 

Apesar do estilo do futuro presidente, Paul Tse, presidente da Câmara de Comércio dos Estados Unidos da América em Macau, mostra-se optimista, nomeadamente no que diz respeito ao futuro das relações entre Washington e Pequim.

“Vivemos num mundo interligado e alguém com a inteligência de Trump percebe isso. Há razões estratégicas para que estes dois países tenham de trabalhar juntos para colher benefícios económicos no longo prazo”, disse ao PONTO FINAL.

“Sabemos que os políticos durante as campanhas falam os eleitores, que fazem as suas decisões a partir do que ouvem. Mas no longo prazo os interesses económicos e os respeitos pelas relações de cooperação estão sempre entre as principais prioridades”, acrescentou.

Porém, para Rodney Hall a relação pode viver momentos mais tensos do que os actuais, principalmente porque espera que os patrulhamentos norte-americanos no Mar do Sul da China se tornem mais frequentes.

 

“Quando chegar ao poder, Trump vai aumentar os patrulhamentos no Mar do Sul da China. Vai também querer punir as práticas de Pequim que violam os acordos comerciais assinados e rotular a China como um país que quebra as regras e manipula o valor da sua moeda”, prevê o académico. “Não espero que Trump ofereça peluches e abraços calorosos a Pequim”, apontou.

 

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