Primeiro transplante de um órgão em Macau foi conduzido no Domingo

Aconteceu no Centro Hospitalar Conde de São Januário o primeiro transplante de órgãos no território. A cirurgia – um transplante renal – foi possível graças à colaboração de uma equipa de clínicos de Zhongshan. Ontem foi ainda anunciada a integração de Macau na lista de espera da República Popular da China para transplantes de órgãos. Falta elaborar uma base de dados de dadores no território.

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Sílvia Gonçalves

Foi realizado no Domingo o primeiro transplante de um órgão em Macau, anunciou ontem Lei Chin Ion, director dos Serviços de Saúde de Macau (SSM). A cirurgia, um transplante renal com um dador vivo, resultou de uma colaboração entre o Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ) e uma equipa do Primeiro Hospital Afiliado da Universidade Sun Yat-Sen, de Zhongshan, onde os clínicos do CHCSJ receberam formação. A doente transplantada – uma mulher de 39 anos – recebeu um rim da irmã, de 54 anos. No mesmo dia foi ainda anunciada a inclusão de Macau e de Hong Kong na lista de espera da República Popular da China para transplantes de órgãos. Por concretizar está a criação de uma base de dados de dadores de órgãos no território.

“Ontem [Domingo], 6 de Novembro, com a colaboração da equipa médica do Centro Hospitalar Conde de São Januário e do Primeiro Hospital Afiliado da Universidade Sun Yat-Sen, foi concluído com sucesso o primeiro transplante renal de corpo vivo de uma paciente”, revelou ontem Lei Chin Ion, em conferência de imprensa.

O director dos Serviços de Saúde explicou a escolha do rim para um primeiro transplante conduzido naquela unidade hospitalar: “Escolhemos o rim porque esta técnica de transplantação renal é bastante sólida e a taxa de sobrevivência é bastante alta. Encontramos um dador adequado do corpo de um familiar. O Centro de Transplante Renal do Hospital Afiliado da Universidade Sun Yat-Sen e o Centro Hospitalar Conde de São Januário concluíram com sucesso o primeiro transplante”, assegurou o responsável, salientando que a doente se encontra com “bons sinais vitais”, “o que significa que a cirurgia foi bem conseguida”.

O transplante inaugural acontece pouco mais de meio ano depois de o Chefe do Executivo ter homologado os critérios e regras de certificação da morte cerebral, em resposta às propostas apresentadas pela Comissão de Ética para as Ciências da Vida, e que vem promover a colheita e transplante de órgãos.

He Xiao Shun, subdirector do Primeiro Hospital Afiliado da Universidade Sun Yat-Sen, que facultou formação aos cirurgiões do Centro Hospitalar Conde de São Januário, falou numa circunstância histórica: “Esta operação cirúrgica foi uma colaboração conjunta. Tem um significado histórico no desenvolvimento dos cuidados de saúde em Macau. As técnicas de cuidados em Macau podem avançar. Espero que no futuro haja mais casos, em Macau é um primeiro caso. Espero que no futuro a população preste mais atenção ao transplante de órgãos”.

Sem esclarecer quantos cirurgiões participaram nesta intervenção, Lei Chin Ion também não avançou com uma previsão do número de cirurgias a realizar no curto prazo: “Temos mais de 600 doentes em hemodiálise. Para transplante, depende do diagnóstico do médico, tem que ter indicação. Os doentes de Macau também entraram na fila da China para se submeter ao transplante”.

Em Macau é agora possível realizar um transplante renal quando o próprio doente apresentar um dador compatível, que terá de ser um familiar até um máximo de três gerações. Não sendo encontrado um dador viável, a população de Macau conta com a possibilidade de receber órgãos de qualquer ponto do país, uma vez que o território integra agora a lista de dadores da China. “Há uma lista de espera em Macau e Hong Kong e todos os pacientes podem ser incluídos na lista de espera da China e gozam das mesmas regalias”, salientou He Shiao Shun.

“Lutámos para entrar nessa lista. Há menos de 15 dadores viáveis por ano em Macau, o número é muito baixo. Quem manifestou intenção de doar tem que oferecer condições para ser transplantado. Como Macau pode agora entrar na lista da China, há mais cadáveres que podem doar órgãos”, salientou Lei Chin Ion. O director dos SSM esclareceu, ainda, que os doentes de Macau terão prioridade nos órgãos doados em Macau, que são depois integrados na lista da China quando cá não se verificar compatibilidade.

Kuok Cheong U, director do CHCSJ, não especificou quantos cirurgiões do hospital público estão aptos a realizar a cirurgia: “Depende da formação, agora não posso prever. Penso que todos os médicos especialistas mostram vontade de receber esta formação”. O responsável do Centro Hospitalar Conde de São Januário também não esclareceu se está já agendado um próximo transplante: “Se os médicos da primeira linha detectarem que algum doente tem as condições, tal como da parte do dador, vamos planear a cirurgia”. Kuok Cheong U adiantou ainda que a dadora do transplante efectuado este Domingo deverá ter alta daqui a uma semana e que a receptora poderá deixar o hospital daqui a 10 dias.

Desde 1996 que a lei prevê o registo de dadores. Por concretizar está, no entanto, a criação de uma base de dados onde figurem todos aqueles que manifestarem vontade de o ser. Lei Chin Ion mencionou a criação de um cartão de doação de órgãos, que poderá ser utilizado, por exemplo, em caso de acidente.

Após a conferência de imprensa, o PONTO FINAL procurou saber junto dos Serviços de Saúde se a base de dados de dadores se encontra em elaboração: “A base de dados está prevista já na lei, e agora está a aguardar os últimos desenvolvimentos, nomeadamente estas especificações mais profissionais do corpo clínico, para que seja avançada. Portanto, está em processo de criação. Não existe formalmente, está prevista na lei, mas não há nenhuma base de dados actualmente disponível”, esclareceram os SSM. Não existe, contudo, uma calendarização para a concretização da mesma: “Não há prazo, será feita quando estiverem todos os processos conexos concluídos”, acrescentou a Direcção dos Serviços de Saúde.

 

 

 

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