Na música, a língua também pode ser uma barreira

A cidade é cada vez mais multicultural, mas não é fácil encontrar um lugar ao sol no panorama musical do território para quem se quer afirmar através da música. Para quem não é fluente em cantonês, a língua é uma das maiores barreiras. Para as irmãs Gabion é mesmo o maior dos obstáculos.

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Ana Vanessa Gabion e Nikki Gabion são irmãs. Nascidas e criadas em Macau – ainda que “puras filipinas” –, desde cedo foram influenciadas pela música e foi a própria mãe que as direccionou para uma carreira musical. Fizeram parte de várias bandas de música desde pequenas, tendo participado numa infinidade de concursos.

Apesar de se terem cruzado desde cedo com notas e com pautas, a música, para as irmãs Gabion, não é uma profissão. Encontram-se ambas a estudar: Nikky, – a irmã mais velha – estuda Gestão Hoteleira e Ana Vanessa decidiu optou por gestão de empresas. São, por isto, intérpretes freelancer que se entregam à música como “forma de diversão”.

Ao PONTO FINAL, Nikki Gabion recordou primeira vez que actuou em frente a um público. Tinha seis anos: “Estava tão assustada. Mas a partir desse momento comecei a construir a minha auto-confiança e a criar contactos na área da música”, explica.

Actualmente, têm-se apresentado em palco sob a designação de “Gabion Sisters” juntamente com Chino del Rosário, um amigo de infância que é também o guitarrista do grupo. No domingo, as manas Gabion fizeram parte dos artistas convidados pelo cantor indonésio Beto Bebeto para o lançamento do seu novo álbum, “Kitchen Gospel”.

Ambas assumem que não é fácil conseguir actuar em locais públicos em Macau. Ana Vanessa diz que a afirmação no panorama musical do território “depende sempre da quantidade de contactos que se possui” e, por vezes, quando actuam, o público “pede músicas chinesas, o que é algo realmente difícil de fazer”.

Por outro lado, Nikki disse que as barreiras se prendem, em grande parte, com as grandes diferenças culturais que apartam as diferentes comunidades radicadas no território: “Às vezes as pessoas não aceitam. Não é racismo, nem sequer discriminação. É como se não apreciassem quando não se é chinês em Macau”.

Outro factor que admitem ser limitador é a competição que existe entre as bandas locais: “Há pessoas fluentes em chinês e em inglês, o que torna difícil fazer da nossa música uma profissão”, explicou Nikki a caçula das irmã Gabion.

Anna Vanessa e Nikki esperam conseguir mais espectáculos mas, por agora, o objectivo comum das duas irmãs é continuar a conciliar os estudos e a paixão, que as une, pela música.

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