Paul Pun não deverá entrar na corrida às próximas eleições legislativas

O secretário-geral da Caritas Macau assume que “muito provavelmente” não avançará com uma candidatura às eleições do próximo ano para a Assembleia Legislativa. Paul Pun diz que a sociedade não está preparada para lhe conceder um lugar no hemiciclo e para o apartar do papel que assume na esfera da solidariedade social.

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Sílvia Gonçalves

Paul Pun Chi Meng não deverá concorrer às eleições Legislativas do próximo ano. Depois de ter sido por quatro vezes candidato no passado, o secretário-geral da Caritas Macau diz que muito provavelmente não estará na corrida para um lugar no hemiciclo. Justifica a decisão com o facto de a sociedade não estar preparada para a aceitar a sua eleição, preferindo circunscrever a sua acção à esfera do trabalho de solidariedade que desenvolve. Pun falou ao PONTO FINAL à margem da 47.ª edição do Bazar de Caridade da Caritas Macau, certame que decorreu este fim-de-semana e contou com a presença de mais de 100 instituições. Os fundos angariados, adiantou o responsável, servirão sobretudo para fornecer serviços de transporte a idosos e pessoas com incapacidades, tantas vezes reféns do seu próprio espaço doméstico.

“Muito provavelmente não vou concorrer. Não queremos dizer não, mas que muito provavelmente não. Porque eu acredito que a sociedade actualmente ainda não está preparada para aceitar a minha eleição. Preferem que nos mantenhamos na caridade, não querem mostrar apoio para que entremos na Assembleia Legislativa [AL]”, lamenta Paul Pun, em declarações ao PONTO FINAL, à margem do Bazar de Caridade da Caritas, que este fim-de-semana inundou de gente o Centro Náutico do Lago Nam Van. O secretário-geral da Caritas fala em apoio continuado, mas que não basta para assegurar um lugar no hemiciclo: “Claro que ao longo dos anos recebi vários pedidos para que eu continue com a campanha. Eu sei que eles querem que eu entre, mas, no geral, mantém-se essa cultura em Macau de que eu não sou a pessoa que eles precisam”, assume

Mas gostaria o dirigente de repetir a tentativa de entrada no hemiciclo do território? “Se eles não querem que eu esteja lá, devo fazer outro trabalho para ajudar a comunidade. Na sociedade de Macau as pessoas consideram que a Assembleia Legislativa é algo de que elas precisam. O que eu penso é que é algo para influenciar a sociedade para uma melhor sociedade”, defende.

Já por quatro vezes o secretário-geral da Caritas esteve na corrida para a conquista de um lugar no hemiciclo. Nas Legislativas de 2013, Paul Pun Chi Meng encabeçou a lista Associação Esforço Juntos para Melhorar a Comunidade, tendo conquistado 2306 votos, 1,57 por cento do total apurado, sem eleger qualquer mandado. O resultado representou, de resto, uma ligeira descida face aos 2334 votos conseguidos em 2009, ainda que em 2013 se tenha registado uma redução da taxa de participação eleitoral, de 55,02 por cento face aos 59,9 por cento de 2009.

A decisão definitiva não está tomada, e Paul Pun garante que o tema ainda não lhe toma o pensamento, se bem que o tom eleitoralista não esteja arredado do discurso: “Ainda não encontrei o tempo para pensar se sim ou não, porque esta não é a minha prioridade. A minha prioridade é servir a sociedade, no que quer que seja que possam precisar”, insiste.

 

ANGARIAR FUNDOS PARA APOIAR CIDADÃOS COM MOBILIDADE REDUZIDA 

No mar de gente que ontem preenchia o Centro Náutico do Lago Nam Van deambulava Paul Pun, enquanto espalhava acenos e saudações por quem o abordava: “O principal objectivo do Bazar é fornecer uma oportunidade às famílias, aos jovens, a pessoas que se queiram juntar para partilhar a felicidade e a alegria através da caridade. Algumas pessoas fazem caridade dentro de uma escola, mas aqui as escolas juntam-se, fazem algo juntos. Esta ocasião permite-lhes fazer algo num mesmo local, partilhar o seu talento e criatividade”, salientou o dirigente ao PONTO FINAL.

O Bazar, já na sua 47.ª edição, serve ainda para angariar fundos que permitam financiar, no próximo ano, os serviços sociais assegurados pelo organismo: “É para o serviço da Caritas e principalmente para os novos serviços. Enquanto instituição de solidariedade, nós precisamos de procurar os nossos fundos para manter os serviços básicos, mas este bazar ajuda-nos a desenvolver novos serviços. No ano passado recebemos cerca de oito milhões de patacas, com esses fundos podemos desenvolver alguns novos serviços sólidos”, explicou.

As receitas angariadas com a edição deste ano do bazar já têm propósito definido: “Será principalmente para fornecer serviços de transporte para pessoas que precisam de se deslocar de um sítio para outro, para ver médicos, para fazer tratamentos, para fazer hemodiálise. E também para pessoas que precisam de se juntar à comunidade, porque as pessoas com incapacidades não precisam só que lhes garantam as necessidades, também precisam de ser integrados na sociedade. Algumas pessoas sentem-se frustradas por não poderem sair de casa e nós ajudamos a torná-lo possível”.

O secretário-geral da Caritas deu conta do crescimento de um evento onde se fizeram representar este ano mais de 100 instituições de todos os quadrantes da sociedade, em quase 100 tendas, com um acréscimo na participação do sector do jogo, de quatro para cinco casinos. A meio da tarde de ontem, Paul Pun antecipava já um aumento no número de visitantes: “No ano passado, segundo a imprensa, foram cerca de 40 mil. Mas de certeza que este ano vêm mais, porque ontem [sábado] vieram mais pessoas do que no ano passado. Poderão ser 50 mil”, arriscou o dirigente.

 

 

 

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