Ng Lap Seng não esteve associado formalmente a Trump

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O Wall Street Journal, que se publica nos Estados Unidos, noticiava este fim de semana que o empresário chinês de Macau Ng Lap Seng, actualmente a aguardar julgamento em Nova Iorque por suspeita de tentativa de suborno a um antigo presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, tinha cruzado o seu caminho com ambos os candidatos à Casa Branca: Donald Trump e Hillary Clinton.

No artigo, o WSJ contava o envolvimento do agora candidato republicano no concurso do jogo do princípio do século, afirmando que “Ng Lap Seng se juntou a Donald Trump e outros investidores numa licitação em 2001 por uma licença para casinos em Macau – três anos depois de relatórios do Congresso terem detalhado o alegado papel desempenhado pelo Sr. Ng num escândalo de financiamento eleitoral relacionado com a reeleição do Presidente Bill Clinton. Os mesmos relatórios sugeriam que Ng Lap Seng mantinha ligações ao crime organizado.

O empresário de Macau terá visitado a Casa Branca por dez ocasiões entre 1994 e 96, tendo contribuído para a campanha de Bill Clinton com milhões de dólares, em parceria com um empresário americano de origem chinesa, Charlie Trie, que acabaria por se declarar culpado, enquanto Ng Lap Seng garantiu sempre que desconhecia o destino dos donativos. Por lei, é proibido entidades ou cidadãos estrangeiros financiarem campanhas políticas nos Estados Unidos.

É dessa época a fotografia que aqui se reproduz de Ng Lap Seng com Bill e Hillary Clinton, em 1994, num jantar de gala em Washington.

O Wall Street Journal indica agora que Ng Lap Seng e Donald Trump, entre outros associados, “planeavam operar a partir do Hotel Fortuna do Sr. Ng, no centro da cidade de Macau, prometendo investir cerca de 1.4 mil milhões de dólares se lhes fosse concedida uma licença”.

Documentos relacionados com o concurso do jogo de 2001 agora consultados pelo PONTO FINAL não confirmam, no entanto, esta ligação formal de Ng Lap Seng a Donald Trump. Se é verdade que um dos principais responsáveis do consórcio a que Trump esteve ligado era Sio Tak Hong, sócio de Ng Lap Seng na Sociedade Nam Van e no Hotel Fortuna – admitindo-se, por isso, que o envolvimento de Ng só por esse facto pudesse ser dado como inevitável – o certo é que o nome de Ng Lap Seng não surge entre os proponentes da candidatura à concessão do jogo.

Além disso, Ng Lap Seng não era também administrador ou sequer accionista da Sociedade de Desenvolvimento Predial da Baía da Nossa Senhora da Esperança, que assumiu formalmente a candidatura à liberalização do jogo em Macau.

Por último, fontes que à data acompanharam o processo garantiram ao PONTO FINAL que Ng Lap Seng jamais participou em qualquer reunião relacionada com o concurso ou em qualquer discussão os méritos da proposta do consórcio a que Donald Trump esteve ligado.

As fontes por nós contactadas explicam que “justamente o envolvimento anterior de Ng Lap Seng com a justiça americana, no caso do financiamento da reeleição de Bill Clinton, poderá ter estado na origem da decisão de não se envolver directamente no concurso do jogo em Macau”. A isso aconselharia o facto das entidades reguladoras do jogo nos Estados Unidos não permitirem que empresários americanos do sector tenham negócios no estrangeiro com pessoas procuradas pela justiça ou simples suspeitos de pertença ao crime organizado.  R.P

 

 

 

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