Hora da verdade aproxima-se para Trump e Hillary, com o mundo na expectativa

Uma decisão norte-americana com um impacto global. Trump ou Hillary? Mudança ou estabilidade? Incerteza ou previsibilidade? Amanhã é o dia de todas as decisões. Entre a comunidade norte-americana radicada em Macau há quem já tenha depositado a sua intenção de voto.

Clinton, Trump pick up big wins

João Santos Filipe

As eleições norte-americanas arrancam amanhã, já ao final da noite em Macau, e para o eleitorado norte-americano chegou a altura de escolher entre Donald Trump, candidato republicano, e Hillary Clinton, candidata do Partido Democrata. Numa perspectiva puramente focada nas relações internacionais e na vertente económica, esta é uma escolha entre a estabilidade e a incerteza. Mas para os cidadãos norte-americanos – incluindo para a comunidade radicada em Macau – há mais em jogo.

Esta é uma escolha que Ashley Sutherland-Winch, cidadã norte-americana que vive e trabalha em Macau, já teve de fazer, como explicou ao PONTO FINAL. A especialista em marketing e relações públicas votou através de correio electrónico, recorrendo ao voto à distância, durante o mês passado: “Vivendo no exterior, as relações internacionais são um tema muito importante. Mas acho que um dos assuntos que precisa mais urgentemente de ser resolvido pelo novo presidente é a criação de um sistema de saúde que seja verdadeiramente universal”, disse, ao PONTO FINAL.

“Neste momento sinto que os seguros de saúde estão incrivelmente caros, principalmente para as famílias, o que acaba por fazer com o sistema de saúde não seja verdadeiramente acessível para todos”, reitera.

A especialista em marketing e relações públicas não quis revelar para que lado pendeu o seu voto, mas admitiu ter estado perante um dilema quando teve de equacionar o futuro do sector da saúde norte-americano: “Sinto que o nosso país precisa de uma mudança drástica no sistema de saúde mas isso vai ser difícil com a Hillary [Clinton]. O congresso e o senado têm uma maioria republicana e vão chumbar qualquer intenção de mudança da candidata”, explica.

“Já Donald Trump pode conseguir mudar as coisas. Só que não sabemos se ele vai implementar mudanças positivas ou negativas”, sublinhou.

 

Trump visto como força de mudança

 

Ashley Sutherland-Winch partilhou igualmente a sua visão sobre o ambiente vivido nos Estados Unidos antes da votação. A norte-americana, já depois de ter votado, esteve no país de origem a visitar familiares e amigos e aproveitou para ouvir o que eles sentem.

“Depois de votar em Macau, regressei aos Estados Unidos para visitar a família e amigos, estive em Las Vegas, Birmingham, no Alabama, e em Nova Iorque. Fiquei surpreendida que Donald Trump tivesse o apoio de amigos e membros da minha família que são pessoas mais liberais. Mas eles mostraram-se interessados em votar nele porque não é um político de carreira e por isso talvez consiga fazer mudanças radicais”, disse.

“Já as pessoas que consideram Hillary a melhor candidata sentem que ela tem mais experiência na política e percebe a forma como Washington funciona”, apontou.

Se para os cidadãos norte-americanos a mudança se pode revelar um princípio apetecível, para os mercados internacionais a situação não é encarada da mesma maneira, como explicou o economista Albano Martins, ao PONTO FINAL: “Se Trump ganhar vai ser pior do que o Brexit. Vai ter um efeito semelhante mas multiplicado por cinco ou seis vezes. Os mercados já deram sinais de que se ele ganhar vão ser mais complicados de gerir”, declarou Albano Martins.

“É um homem claramente pelo fecho dos mercados, por um conjunto de medidas que vão fazer os Estados Unidos da América regredirem uma série de anos em relação à abertura com o exterior e à posição política no mundo”, disse ainda o economista.

Por outro lado, Albano Martins focou a experiência e segurança que Hillary Clinton vai trazer aos mercados, até porque a sua política deve ser muito semelhante à adoptada pelo actual presidente, Barack Obama: “Se ela ganhar a política económica ser mais do mesmo, seguindo na linha do que fez Barack Obama. Não vai haver grandes mudanças em termos económicos”, defendeu.

 

Candidatos desfavoráveis à China

 

Se é comum para quem vota equacionar o que se pode ganhar ou perder com a eleição de um candidato em prol de outro, para a República Popular da China, Trump e Clinton já se constituem como uma derrota. Pelo menos, esta é a visão do académico e comentador político Larry So: “O mais provável é que Hillary Clinton vença as eleições com uma margem muito apertada. Mas qualquer um dos dois não tem uma posição muito favorável à China. Mesmo assim considero Hillary quem mais abertamente se mostra contrária às posições chinesas”, afirmou Larry So.

“O poder da economia chinesa é considerado ameaçador para os dois candidatos. Porém Trump não tem tanta experiência ao nível da política externa, ao contrário de Hillary, que é muito experiente, e isso pode ser o mal menor para os interesses chineses”, admitiu.

Para Larry So uma coisa parece certa: as tensões no sudoeste asiático vão subir de tom, até porque, defende, os EUA estão a ter dificuldades em lidar com a influência crescente da República Popular da China nesta área.

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