Extensão a Macau do DocLisboa regressa com presença expressiva de produção local

 

A extensão do festival DocLisboa a Macau repete-se este ano entre 9 e 18 de Novembro, com um cartaz que integra, além de oito documentários premiados na edição de 2015 do Doc, cinco filmes produzidos em Macau aos quais cabe abrir e encerrar o cartaz. Todas as sessões têm entrada livre.

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Sílvia Gonçalves

Na década de 80, uma família vietnamita encontra num campo de refugiados, em Macau, um lugar de acolhimento e abrigo. O confronto de Filipa Queiroz e Lina Ferreira com um pedaço da história recente do território acontece trinta anos depois e é convertido num documentário que leva como título “Boat People”. A película abre, a 9 de Novembro, a IV Extensão do DocLisboa a Macau, que este ano traz ao Auditório Dr. Stanley Ho, do Consulado de Portugal, oito filmes exibidos na edição de 2015 do DocLisboa Festival Internacional de Cinema e ainda cinco filmes realizados em Macau, que asseguram a abertura e o encerramento do programa. A iniciativa, promovida desde 2013 pelo Instituto Português do Oriente (IPOR), traduz, diz João Laurentino Neves, uma aposta do organismo no cinema documental e na promoção de diálogos entre os dois territórios, consolidados através da inclusão no cartaz de produção fílmica local.

“Dentro deste vasto mundo que é o do cinema, o cinema documental para nós, enquanto IPOR – e tendo em conta a missão da instituição – tem um interesse particular. Ora, tendo o IPOR na sua missão a ideia de promover diálogos entre Portugal e a RAEM e fazer esta ponte entre aquilo que são as expressões das culturas destes dois pontos distantes do mundo mas próximos na história, entendemos que o cinema documental tem esse enorme potencial para nos trazer esse diálogo que procuramos”, enquadra João Laurentino Neves.

Um diálogo que justifica, explica o director do IPOR, a inclusão de películas de produção local num cartaz onde figuram filmes premiados no principal festival português votado ao cinema documental: “Por essa razão também, à Extensão do DocLisboa, que vimos realizando desde 2013 – trazendo até Macau os filmes que são premiados na secção de competição portuguesa do DocLisboa – juntamos, a partir de 2014, uma secção de produção local, de Macau, exactamente para que esse diálogo possa ser ainda mais consolidado”.

Aos oito filmes vindos do festival português, juntam-se cinco filmes locais seleccionados ou premiados em diferentes competições, como o Sound & Image Challenge Festival, promovido pela Creative Macau, ou o European Union Short Film Challenge, do Programa Académico da União Europeia em Macau: “Julgo que temos um conjunto de filmes que nos trazem perspectivas e leituras muito diversas dessa realidade de Portugal e da RAEM que importa que cada um conheça melhor”, assinala João Neves.

Na sessão inaugural, que acontece a 9 de Novembro, às 18h30, a “Boat People” juntam-se “Under the Neon”, de Grace Kou e Shirley Cheong, e ainda “Come, The Light”, de Chao Koi Wang. A 11 de Novembro, arranca a projecção de filmes do DocLisboa com “Talvez Deserto, Talvez Universo”, de Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes, que conta com a presença do realizador. A 12 de Novembro, são apresentados “A Glória de Fazer Cinema em Portugal”, de Manuel Mozos, “Venço, Limpo o meu Suor”, de Gonçalo Cardeira, “Waiting on Yesterday”, de Jamie Allan, “You’ve never been there”, de Nevena Desivojevic e “O Meu Outro País”, de Solveig Nordlund.

A programação prossegue, a 14 de Novembro, com a projecção de “Setil”, de Tiago Siopa. No dia seguinte, o auditório do Consulado de Portugal acolhe “Rio Corgo”, de Maya Kosa e Sérgio da Costa. A 16 de Novembro, o programa regressa à produção local, com “Plantação em Terra de Desperdício”, de Tracy Choi,  cabendo o encerramento do cartaz, a 18 de Novembro, a “Chá Gordo de Memórias”, de Catarina Cortesão e Tomé Quadros.

À semelhança das edições anteriores, o programa inclui a vinda a Macau de um realizador português, premiado no DocLisboa. Este ano será Miguel Seabra Lopes a deslocar-se ao território. O realizador venceu com “Talvez Deserto, Talvez Universo” o Prémio António Arroio para o Melhor Filme da Competição Portuguesa no DocLisboa 2015 e ainda o Prémio Íngreme, do mesmo festival: “Para além de apresentar o filme, a nossa intenção é que ele aqui contacte com os realizadores locais. Que explorem até eventuais possibilidades de trabalho conjunto, permuta de experiências. Para além da outra vertente que o realizador cumpre, que é a da realização de uma masterclass para alunos de instituições de ensino superior em Macau que tenham nos seus curricula a vertente da comunicação e do cinema”, adianta o director do IPOR.

Já o público tem vindo a acorrer à extensão do Doc no território de forma gradual, conta Laurentino Neves, que assume não estar satisfeito com a afluência até agora registada: “Não é uma área de expressão fácil, no sentido que os públicos para este tipo de actividades se vão conquistando lentamente e sobretudo com a própria consolidação do evento. Estamos satisfeitos com o que temos tido? Não, não estamos. Temos trabalhado e vamos continuar este ano a divulgar mais junto de um público sobretudo de língua materna chinesa, para que possa também ele apreciar mais este tipo de produções”, conclui.

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