Beto Bebeto quer encorajar músicos locais com álbum “Kitchen Gospel”

Dividido entre a Indonésia, Macau e a Austrália, Beto Bebeto escreve e compõe música contemporânea cristã. O seu novo álbum, lançado ontem, é uma compilação de músicas escritas e compostas ao longo da última década.

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O cantor e compositor indonésio Beto Bebeto lançou este domingo o seu mais recente álbum, “Kitchen Gospel”, no estabelecimento comercial Indonesian Street, situado no Jardim dos Oceanos. O convite para o lançamento estendeu-se a toda a sociedade de Macau, mas quem o acompanhou foram principalmente amigos mais próximos e alguns artistas convidados, o que tornou o encontro mais intimista.

As raízes familiares de Beto Bebeto, nome artístico de Gilbert Humphreys, estão no território há pelo menos cinco gerações, mas o também pastor evangélico nasceu em Jacarta, tendo-se mudado em criança para o território. A ligação à música surgiu, no entanto, na Austrália, país onde residiu durante um curto período, suficiente ainda assim para se aventurar no cenário da música ao vivo do país.

Quando regressou a Macau, em 2006, ainda lançou um EP, mas a vinda para o território e o assumir de responsabilidades noutras áreas profissionais acabou por forçar o então jovem músico a optar por uma pausa nas actividades musicais.

Agora,  aos 37 anos, Beto quer chegar aos mais jovens através da sua música e incentivá-los a perseguirem os seus sonhos . O cantor e compositor falou ao PONTO FINAL sobre as muitas barreiras com que os  artistas locais se deparam: “Todas as músicas que eu faço – e que estão presentes neste álbum – não exigiram muito de mim. Macau não tem, ainda, uma indústria musical e percebo , por isso, as dificuldades que os músicos locais enfrentam quando tentam fazer alguma coisa com aquilo que criam. O meu objectivo é encorajá-los”.

A voz de Beto Bebeto chega também à comunidade indonésia radicada na RAEM através da Rádio Macau. Desde 2012, o programa “Kumbang Toh” – o primeiro programa de rádio produzido no território para uma minoria étnica que não os portugueses – é transmitido das 20h às 22h de Domingo. Conduzido em “bahasa” – a língua nacional falada no Indonésia – o programa aproxima os seus compatriotas do arquipélago: “É algo que os revigora e os faz relembrar [o país que deixaram para trás]”, afirmou o radialista, “e é bom quando têm saudades de casa. Não é apenas sobre música: há muitas piadas. Convido indonésios locais de Macau, líderes de organizações e, às vezes, indonésios que trabalham no consulado”, explicou. São partilhadas informações úteis aos ouvintes – como alterações na Lei – e existe uma cooperação entre a antena da Rádio Macau e uma rádio nacional indonésia.

O número de naturais da Indonésia no território tem vindo, ainda assim, a diminuir. Beto Bebeto sublinha que, “apesar da cooperação que tem vindo a ser promovida entre o Governo Indonésio e o Governo de Macau no sentido de proteger os residentes indonésios” – o facto de, em comparação com o que acontecia anteriormente, ser agora mais difícil migrar para Macau e começar a trabalhar pode ser um factor que justifica a redução do número de efectivos da comunidade. Contudo, o músico e radialista está convicto que melhores dias virão: “Com o reforço da cooperação, não vai demorar muito tempo até que se encontre a melhor forma dos cidadãos indonésios suprirem a necessidade de mão de obra de Macau”. JF

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