Xi Jinping condena “conspirações” no seio do Partido Comunista

O presidente da República Popular da China deixou um apelo à depuração interna no seio do Partido Comunista. Xi Jinping considera necessário um maior controlo ideológico e considera que a corrupção e a fraude colocam em causa a qualidade da governação.

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O Presidente chinês, Xi Jinping, condenou anteontem as “conspirações” dentro do Partido Comunista da China (PCC), afirmando que a corrupção e fraude nas votações prejudicam a governação e que é necessário maior controlo ideológico.

O comentário surge após Xi ter sido declarado na semana passada como líder “central” do Partido Comunista, após uma reunião de quatro dias entre a elite do partido. O encontro serviu ainda para anunciar uma reforma “das directrizes para a vida política” dos seus membros.

Após ascender ao poder, em 2012, Xi lançou uma campanha anti-corrupção, hoje considerada a mais persistente e ampla na história da China comunista.

Na quarta-feira, o Diário do Povo, jornal oficial do PCC, publicou dois documentos em que detalha as decisões tomadas durante a reunião, acompanhados de um comentário do chefe de Estado chinês: “Existe um grupo de altos funcionários do partido, que dominados pela ambição política e sede de poder, recorrem à conspiração, trabalhando com pretensa dedicação, enquanto formam cliques, que visam interesses egoístas”, escreve Xi.

“O nepotismo e as fraudes nas votações perduram”, afirma o líder chinês, acrescentando que o “abuso de poder, a corrupção e as violações da disciplina e da lei têm aumentado”.

Xi Jinping destaca ainda vários altos quadros do regime punidos por corrupção, incluindo o ex-chefe da Segurança Zhou Yongkang, o mais alto líder da China comunista condenado por este crime desde a fundação da República Popular, em 1949. A imprensa estatal não se coibiu de acusar Zhou Yongkang de conspirar para alterar a liderança do Partido.

O seu comportamento “expõe não só os seus sérios problemas com a corrupção, mas também expõe os seus sérios problemas políticos”, afirma Xi, também secretário-geral do Partido Comunista Chinês.

A campanha anti-corrupção lançada por Xi Jinping resultou já na punição de um milhão de membros do partido.

Os alvos incluíram oficiais menores – a que o líder chinês se refere como “moscas” – mas também mais de uma centena de “tigres”: altos quadros do partido, com a categoria de vice-ministro ou superior.

No braço político do exército, a Comissão Militar Central, que era considerada intocável até então, dois ex-vice-presidentes foram já investigados por corrupção. A campanha terá também servido para alterar o funcionamento interno do partido: “Como na ecologia natural, a ecologia política é também vulnerável à poluição”, escreveu Xi. “Uma vez que os problemas surgem, temos que pagar um alto preço para restaurar o seu estado original”, sublinha o secretário-geral do PCC.

As novas “regras de disciplina interna” do Partido Comunista declaram um controlo ideológico mais rigoroso, apelando aos membros do partido para se oporem a acções contrárias à liderança da organização: “Nenhum membro do Partido deve fazer ou difundir afirmações contrárias à teoria, princípios, caminho, políticas e decisões” do Partido Comunista, refere o documento.

As medidas que visam reduzir a corrupção não incluem, porém, a instituição de regras de transparência, como a declaração de bens dos líderes do partido ou a supervisão da organização por um organismo independente.

 

 

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