Governo birmanês nega abusos contra minoria rohingya

As autoridades do Myanmar acusam a Human Rights Watch de falsear factos e de denegrir a imagem do país ao acusar o exército de perpetrar atrocidades contra membros da minoria rohyngia. Em causa estão acusações feitas no início da semana pelo organização de defesa dos direitos humano.

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O governo birmanês negou esta quinta-feira as denúncias de abusos contra a minoria rohingya na operação de segurança lançada no mês passado, após um ataque no oeste do país. As autoridades de Naypyidaw acusaram organizações estrangeiras de falsearem os factos.

Em comunicado, as autoridades afirmaram que a segurança foi restaurada no norte do estado de Rakhine, na fronteira com o Bangladesh, onde vive a maioria da comunidade rohingya, após um  ataque desferido a 9 de Outubro contra vários postos da polícia fronteiriça.

Essa zona foi declarada “zona de operações” pelo exército, acusado por activistas locais de praticar execuções sumárias, violações e saques contra a população daquela minoria muçulmana, e de incendiar várias das aldeias onde os rohyngia vivem.

O governo, por seu turno, defendeu a actuação das forças de segurança e garantiu que vários habitantes da zona deslocados pela violência regressaram às suas casas, num comunicado enviado pelo gabinete da presidência.

“Estamos a ‘limpar’ a zona de acordo com a lei”, indica na mesma nota o Governo birmanês, lamentando que “organizações estrangeiras estejam a distorcer a verdade através do abuso da imprensa”.

A imprensa estatal – a única à qual foi permitido acesso à zona – alinhou-se com o governo e qualificou como “falsas acusações” as denúncias sobre violações de direitos humanos.

Desde o ataque, organizações humanitárias e a imprensa independente têm vedado o acesso à zona, onde pelo menos 40 pessoas morreram quer no incidente, quer nos distúrbios que se seguiram, segundo dados oficiais.

A divulgação do comunicado coincide com o segundo e último dia da visita de dois dias que uma delegação diplomática realiza à zona afectada e de um pedido das Nações Unidas para o acesso “sem restrições” da ajuda humanitária, interrompida desde o ataque.

Segundo a Organização das Nações Unidas, aproximadamente 150 mil pessoas encontram-se privadas de acesso a comida ou à sua fonte habitual de rendimentos na zona, onde antes do surto de violência foi diagnosticada má nutrição severa a cerca de três mil crianças que dependem de assistência contínua.

Mais de um milhão de rohingya vivem em Rakhine, uma minoria que reside na Birmânia há séculos mas cujos membros não são reconhecidos como cidadãos birmaneses.

Aproximadamente 120 mil rohingya vivem confinados em 67 acampamentos e sofrem todo o tipo de restrições desde um surto de violência sectária em 2012 entre esta minoria muçulmana e a maioria budista da região, que causou pelo menos 160 mortos.

Os rohingya são um assunto sensível na política birmanesa, condicionada por grupos budistas radicais que levaram o anterior Governo a adoptar múltiplas medidas discriminatórias contra aquela minoria, como a privação da liberdade de movimento.

O actual Governo, liderado pela Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, criou em Agosto uma comissão liderada pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, incumbida de elaborar um relatório com recomendações para solucionar o conflito sectário.

Os rohingya são uma minoria apátrida que as Nações Unidas consideram uma das mais perseguidas do planeta.

 

 

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