Taiwan: Kuomintang vai contrariar o programa independentista do Governo

A garantia foi dada pela líder do maior partido da oposição formosina. Hung Hsiu-chu esteve reunida na terça-feira em Pequim com o presidente chinês, Xi Jinping, a quem assegurou que está determinada a reforçar o chamado “Consenso de 1992”.

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A líder do Kuomintang, o maior partido da oposição em Taiwan, garantiu na terça-feira que tenciona contrariar o “programa independentista” do actual Executivo taiwanês, durante um encontro com o presidente da República Popular da China, Xi Jinping.

Taipé e Pequim vivem renovadas tensões, desde que em Maio o Partido Democrático Progressista – que defende a independência formal da Formosa –  ascendeu ao poder.

Em conferência de imprensa no Grande Palácio do Povo, Hung Hsiu-chu assegurou a sua determinação em reforçar o chamado “Consenso de 1992”, ao abrigo do qual ambas as partes reconhecem o princípio de “uma só China”, mas cada uma o interpreta à sua maneira.

A Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, recusa publicamente adoptar o conceito de “uma só China”, que na interpretação de Pequim implica que Taiwan é parte da República Popular. Por causa da posição de Tsai, Pequim suspendeu a comunicação oficial com o Governo de Taiwan.

Citada pela imprensa oficial chinesa, a líder do Kuomintang assegurou que o seu partido “vai promover activamente a institucionalização de relações pacíficas entre os dois lados do estreito e explorar a possibilidade de acabar com a hostilidade através de um acordo de paz”.

Xi Jinping, por sua vez, advertiu que Pequim não permitirá a “mais mínima dúvida” sobre a existência de um só país e apelou aos contactos entre o KMT e o Partido Comunista Chinês, visando acertar posturas, de acordo com a agência oficial Xinhua.

O Presidente chinês apelou a ambas as partes para reconhecerem o princípio de “uma só China”, sublinhando a importância de proteger a “integridade nacional”.

Depois de a guerra civil chinesa ter acabado, em 1949, com a vitória do Partido Comunista da China (PCC), o antigo governo nacionalista do Kuomintang refugiou-se na ilha de Taiwan, onde continua a identificar-se como governante de toda a China.

Do ponto de vista da diplomacia internacional, passou a existir a República Popular da China, governada pelo PCC, e a República da China, dirigida pelos nacionalistas, mas ambos os lados rejeitaram sempre uma divisão definitiva. Pequim considera Taiwan uma província chinesa e defende a “reunificação pacífica”, segundo a mesma fórmula adotada para Hong Kong e Macau (“um país, dois sistemas”). Porém, ameaça “usar a força” se a ilha declarar independência.

O “Consenso de 1992” refere-se às negociações realizadas em Hong Kong em 1992 entre a China e o Governo de Taiwan, na altura da responsabilidade do Kuomintang, em que as duas partes acordaram que há apenas uma China, mas verbalmente cada parte podia defini-la à sua maneira.

Este acordo permitiu as primeiras negociações entre a China e Taiwan desde 1949, celebradas em Singapura em 1993, e também levou a uma aproximação económica entre 2008 a 2016 sob a presidência, em Taiwan, de Ma Ying-jeou, uma aproximação que chegou ao fim com a eleição de Tsai Ing-wen.

Com uma visita oficial de cinco dias à China, Hung Hsiu-chu procura recuperar as relações com Pequim, opondo-se à postura do actual Governo de Taiwan.

 

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