Residente de Macau brilha em ultramaratona no Nepal

Os resultados surpreendentes continuam a aparecer na carreira tardia da cabo-verdiana Márcia Silva, residente de Macau. Depois de vencer uma minimaratona na China, em Junho, desta vez terminou em segundo num percurso de 60 quilómetros pelas montanhas da região da capital nepalea, Katmandu.

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Rodrigo de Matos

Não foi ver, chegar e vencer, mas quase. A atleta amadora Márcia Silva conquistou para Macau uma medalha de prata na categoria feminina da Ultramaratona Action Asia, no Nepal. Num percurso de 60 quilómetros por um terreno agreste, no âmbito de uma prova que se estendeu por três dias, a cabo-verdiana conseguiu o segundo melhor tempo na sua categoria, tendo-se quedado atrás apenas de uma atleta profissional de Hong Kong. O feito tem tanto mais relevo quanto o facto de Márcia Silva ter despertado tardiamente para a competição: só no início do corrente ano, aos 30 anos, começou a treinar a sério.

Nas montanhas do Nepal, a organização da prova – que tinha duas variantes: uma de 100 e outra de 60 quilómetros – traçou um percurso pela região da capital Katmandu com altitudes entre os 1600 e os 2000 metros acima do nível do mar. Dezenas de atletas debateram-se com um terreno agreste, com troços íngremes e pedregosos. Márcia Silva terminou a prova dos 60 quilómetros com um tempo de 10h46m27s. Na categoria feminina no escalão etário dos 30 aos 39 anos, apenas Kate Kim, atleta profissional de Hong Kong, conseguiu melhor: 8h47m56s.

“Foi fantástico! Tendo em conta que foi a minha primeira ultra-maratona, considero que o objectivo foi mais do que cumprido”, congratulou-se a atleta, que vive em Macau há 12 anos. Funcionária da firma de advogados MdME, Márcia Silva contou ontem ao PONTO FINAL como nasceu a paixão pelo atletismo extremo.

 

Uma campeã nata

 

“Sempre gostei de correr mas nunca o tinha feito competitivamente”, confessa a atleta de Macau. Depois de ter sido mãe, com a vida profissional e sedentária, os maus hábitos foram-se acumulando no tecido adiposo. “Há nove meses, decidi mudar de vida. Tinha acabado de completar 30 anos e fomos de férias a Cebu [nas Filipinas]. Quando olhei para uma foto que tirei ali, não me reconheci. Decidi então que iria ficar em forma. Conheci por acaso no Facebook o Simon Lam, que é um indivíduo que sabe muito de fitness e me deu bons conselhos”, recorda.

Desde então, Márcia tem seguido uma dieta rigorosa, à base de muita proteína e baixo teor calórico, que lhe permitiu entrar em forma e adaptar o corpo a um modo de vida mais saudável e cheio de exercício físico. Nos últimos dois meses, com o aproximar da competição, elevou o patamar com um programa rigoroso de treinos diários de uma hora a uma hora e meia, entre corridas na Guia e ginásio.

Os resultados apareceram logo na primeira competição a sério em que participou, em Junho, na China: Márcia terminou uma mini-maratona na Mongólia Interior – sete quilómetros – em 37 minutos, cortando a meta em primeiro na categoria feminina.

O mais recente resultado, conseguido no Nepal, será mais um estímulo para continuar a correr: “Agora já não vou parar. Precisava de provar a mim própria que era capaz. Mas agora que consegui, quero seguir em frente e já estou inscrita noutras provas, a próxima delas em Junho, em Hunan [China], onde deverei tentar correr os 100 quilómetros da ultramaratona”, adiantou.

 

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