Membros do Conselho de Planeamento Urbanístico querem construção privada nos antigos terrenos do La Scala

 

A proposta recolheu o aplauso de vários membros do organismo: os terrenos do La Scala não devem ser reservados apenas para habitação pública. Paul Tse foi mais longe. O director executivo da construtora Golden Crown Development e vice-presidente da Associação de Construtores Civis e Empresas de Fomento Predial, acusa os residentes de Macau de querem lucrar com as habitações económicas.

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João Santos Filipe

São vários os membros do Conselho de Planeamento Urbanístico que querem que os terrenos que estavam destinados à construção do empreendimento La Scala tenham uma área reservada para a construção e exploração por privados. O Governo quer construir no local habitações públicas e apresentou a proposta ontem à tarde aos membros do Conselho.

Só que as críticas não se fizeram esperar e a primeira pessoa a mencionar a questão da construção privada foi Wu Chou Kit, que também questionou o número de habitações económicas e públicas necessárias no terreno:  “Temos de ponderar se é necessário construir mais habitação social ou parques e outros sítios que possam ser explorados por privados”, afirmou Wu. “O Governo já tem muitas obras públicas em curso. Será que este terreno não podem ser desenvolvido pelos privados?”, acrescentou minutos depois.

Também Paul Tse, director executivo da construtora e imobiliária Golden Crown Development, defendeu que uma parte dos terrenos, situados na Avenida Wai Long, devia ser entregue aos privados: “Quando há habitação económica, são mais de 40 mil pessoas à espera. Depois da verificação dos requisitos dos candidatos, apenas 20 mil candidaturas são aprovadas. Porque é que em Macau há tanta procura de habitação económica? As pessoas entendem que se tiverem essa habitação podem lucrar”, acusou o construtor.

“Os terrenos não devem ser só para construção pública. Acho que se o Governo conseguir que lhe paguem 15 milhões ou 20 milhões por parte dos terrenos… É um preço aceitável”, explicou o membro do Conselho.

 

Impacto ambiental e na colina da Taipa Grande

 

Durante a reunião, o arquitecto Rui Leão mostrou igualmente o seu descontentamento com o projecto, que pode ter uma altura máxima de 155 metros, e capacidade para oito mil famílias.

“São edifícios de alto rendimento económico e arquivamento familiar. Como acontece com o Edifício Windsor Arch, em frente do Macau Jockey Club. Só que lá é para famílias ricas e neste caso é para os pobres. Mas vai ser uma zona semelhante com um passeio minúsculo junto à estrada e sem lojas”, defendeu.

“Há um trilho nesta zona [Trilho da Taipa Grande] que é muito usado pela população porque tem uma vista panorâmica. Mas se se construir com esta altitude, a única vista panorâmica vai ser para as cozinhas e casas-de-banho das famílias”, sublinhou o arquitecto.

A altura do projecto foi igualmente criticado pelo membro do conselho Manuel Iok Pui Ferreira, que destacou o impacto para a colina. Outras críticas ao projecto visaram o impacto para o trânsito na zona, a concentração de população e o impacto ambiental.

Apesar do projecto do Governo não prever a construção de edifícios pelos privados, no final do encontro Raimundo Rosário não negou a possibilidade: “Neste momento há um consenso baseado no sentimento geral que ainda há necessidade de fazer habitação pública. O que não sabemos é quantas mais casas são precisas, foi por isso que encomendámos esse estudo [sobre a necessidade de fracções de habitação económica e social]”, disse o secretário para os Transportes e Obras Públicas.

“Neste momento não posso responder se vai ou não haver habitação privada naquele terreno. Acabámos agora a reunião e não tomo decisões nestes minutos”, frisou.

A reunião de ontem abordou outros projectos, como os edifícios públicos e futuros tribunais na parte leste da Zona B dos novos aterros. Em relação a este ponto, os membros queixaram-se de falta de informações para debater os projectos, mas Raimundo Rosário sublinhou a importância de prosseguir com os trabalhos, apesar de concordar com “90 por cento das críticas”.

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