Human Rights Watch quer que a ONU investigue violência contra rohingya

A organização não governamental de defesa dos direitos humanos quer que a Organização das Nações Unidas investigue os alegados abusos que têm sido perpetrados desde o início do mês no Estado de Rakhine. O exército birmanês é suspeito de submeter os membros da minoria a execuções, a violações e a saques.

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A Human Rights Watch (HRW) denunciou esta segunda-feira a queima de aldeias rohingya no oeste da Birmânia, apelando à Organização das Nações Unidas para investigar os relatos de alegados abusos perpetrados pelas forças de segurança do país contra aquela minoria desde o início do mês.

O exército birmanês declarou como “zona de operações” o norte do estado Rakhine, na fronteira com o Bangladesh, onde vive a maioria dos rohingya, após a zona ter sido alvo de três ataques contra outros tantos postos da polícia fronteiriça a 9 de Outubro.

O assalto e posteriores distúrbios causaram pelo menos 40 mortos entre polícias, militares, assaltantes e moradores, e levou ao destacamento do exército, a quem activistas locais acusam de execuções, violações e saques contra os rohingya.

A Human Rights Watch utilizou imagens de satélite para fundamentar a nova denúncia, que fez horas antes da chegada ao local de uma delegação das Nações Unidas e do Governo birmanês, criticado pela organização não-governamental por causa das “desculpas” para impedir o acesso das agências humanitárias àquela zona.

“Novas imagens de satélite revelam destruição em Rakhine que exige uma investigação imparcial e independente, algo que o Governo birmanês ainda não foi capaz de fazer”, afirmou o sub-director da HRW para a Ásia, Phil Robertson, em comunicado.

Segundo a organização de defesa dos direitos humanos, as imagens mostram rastros de incêndios que coincidem com as denúncias de organizações locais. A Human Rights Watch alerta que, apesar de o número de habitações afectadas ser “incerto”, os danos na zona podem ter sido subestimados.

Os rohingya vivem na Birmânia (Myanmar) há séculos mas não são reconhecidos como cidadãos birmaneses nem como imigrantes bengalis.

Aproximadamente 120 mil rohingya – minoria apátrida que as Nações Unidas consideram uma das mais perseguidas do planeta – vivem confinados em 67 acampamentos e sofrem todo o tipo de restrições desde que um surto de violência sectária, em 2012, entre a minoria muçulmana e a maioria budista da região, causou pelo menos 160 mortos.

Os rohingya são um assunto sensível na política birmanesa, condicionada por grupos budistas radicais que levaram o anterior Governo a adoptar múltiplas medidas discriminatórias contra aquela minoria, como a privação da liberdade de movimento.

O actual Governo, liderado pela Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, criou em Agosto uma comissão liderada pelo ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan, incumbida de elaborar um relatório com recomendações para solucionar o conflito sectário.

 

 

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