As histórias publicadas nesta secção são escritas com base em versão apresentada pelas forças de segurança – PJ e PSP. Salvaguarde-se a presunção de inocência dos envolvidos, aqui identificados apenas com uma inicial arbitrária e sem relação propositada com os seus nomes verdadeiros, e cujos casos ainda não foram julgados em tribunal.

Uberstinação

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Quando os agentes da unidade da Polícia de Segurança Pública envolvidos numa operação de combate ao serviço ilegal de carros de aluguer mandou parar aquela viatura, nem imaginavam o que iam encontrar. Todas as evidências pareciam apontar apenas para mais um caso do uso da aplicação Uber, proibida em Macau. Mas M., o condutor, era muito mais do que um mero motorista da rede que se propõe ser uma alternativa aos táxis convencionais.

Foi no sábado passado, durante uma patrulha da PSP na Estrada de Pac On, que a teimosia compulsiva de M. ficaria a descoberto. Os agentes desconfiaram do facto de os passageiros se encontrarem todos no banco de trás, como se fossem num táxi, e mandou parar a viatura. Não foi preciso grandes interrogatórios para que os turistas admitissem que tinham recorrido à aplicação de telemóvel para chamar o carro e usado um cartão de crédito para pagar o serviço. O próprio M. não negou que estivesse a ser pago para transportar os clientes e admitiu inclusive que os tinha recolhido no Terminal Marítimo Provisório, na Taipa, atendendo à solicitação feita através do smartphone.

O problema é que estava a fazê-lo num automóvel registado para o uso privado e não licenciado para transportar passageiros em regime de aluguer, serviço que em Macau apenas é autorizado aos táxis convencionais. Mas o pior ainda estava por ser descoberto: é que M., cidadão de Macau, de 28 anos, nem sequer tinha carta de condução. Com efeito, já tinha inclusive sido apanhado anteriormente a conduzir sem carta. De cada vez que é apanhado, o castigo que lhe é aplicado não surte qualquer efeito dissuasor e M. teimosamente volta sempre a pegar no volante. Assim aconteceu pela primeira vez em 2008, mais tarde em 2013, e duas outras vezes só no ano passado – a última das quais em Maio – quando foi condenado a dois meses de prisão com pena suspensa por 18 meses.

Ouvido pelo Ministério Público, desta vez, além de ter de responder por condução sem habilitação pesou sobre si a acusação de prestação ilegal de serviço de transporte de passageiros.

Chave para os problemas

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Foi num supermercado da Avenida Rodrigo Rodrigues que L., um desempregado de Macau  de 32 anos, se deparou com o que parecia ser um golpe de sorte grande. O pequeno armário de portas de vidro que continha os produtos que eram mais propensos a serem roubados estava ali mesmo à mão, com a chave, esquecida por algum funcionário, pendurada na fechadura.

L.deu uma olhada em redor e certificou-se de que ninguém o estava a observar. Tratou de carregar a sua mochila com quatro garrafas de vinho e alguns cosméticos, sem grande critério, apenas com a preocupação de o fazer rapidamente, antes que o empregado do supermercado que tinha esquecido a chave desse pela distracção.

Fechou a mochila e saiu da loja em passo apressado, opção que deixou mais do que desconfiados os funcionários da segurança que tinham ficado com a impressão de o terem visto colocar alguma coisa na sua bagagem.

Foram no seu encalço e interceptaram-no. Pouco depois, chegariam os agentes da Polícia de Segurança Pública, que o detiveram por furto. O valor dos artigos que extraiu do supermercado sem pagar ascendia a 1500 patacas.

Cartões voláteis

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Cidadã de Hong Kong, J. gosta de vir a Macau sempre que pode, para se distrair. Da última vez, no entanto, a experiência saiu-lhe bem cara e nada divertida. Chegou a Macau no sábado, com a ideia de passar um fim-de-semana descontraído, longe da vida agitada que leva na região vizinha.

No domingo, foi à Taipa fazer compras. Viu numa loja uma blusa de que gostou muito mas não imaginava o susto que ia ter na hora de pagar: reparou que a mala estava aberta, meteu a mão e não sentiu o toque macio do veludo da carteira onde guardava o dinheiro e os cartões de crédito. Parecia que se tinham dissipado no ar.

Apresentou queixa na Polícia Judiciária e contou tudo o que lhe tinham roubado: 40 mil dólares de Hong Kong, 1300 yuans, mais 500 patacas, ou seja, um total aproximado de 43,2 mil patacas.

Aconselhada pela polícia, tratou de ligar ao banco também para cancelar os cartões de crédito, antes que fossem usados indevidamente. Mas era tarde demais: de lá, informaram-lhe que havia duas transacções registadas entre as 14h e as 16h de domingo, ou seja, quando J. já não tinha os cartões consigo. O total das transacções: 167 mil dólares de Hong Kong (172 mil patacas).

 

Vigarice nos penhores

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De semblante entristecido, G. entrou na loja de penhores, no dia 20 de Junho, e estendeu ao funcionário o relógio de marca que se via obrigado a empenhar para pagar as contas. A vida corria-lhe mal e era a única forma que tinha de conseguir os 20 mil dólares de Hong Kong (20,6 mil patacas) de que precisava. No mesmo dia, voltou à loja e explicou de forma tão comovente que afinal precisava de mais 10 mil dólares de Hong Kong (10,3 mil patacas) que o responsável da loja não se importou de aumentar o valor do penhor, até porque o relógio valia bem mais.

Voltaria à loja para uma terceira visita no dia 21. Não para pagar a dívida e reaver o relógio, mas para empenhar outro igual. Os seus problemas financeiros continuavam e precisava urgentemente de liquidez. Levou mais 30 mil dólares de Hong Kong (30,9 mil patacas). E nunca mais apareceu…

Só no domingo passado, um funcionário da loja que fazia a verificação dos bens empenhados descobriu que os dois relógios em causa eram falsos. Um prejuízo de 60 mil dólares de Hong Kong (61,8 mil patacas) para a loja.

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