Partido Comunista celebra 80 anos sobre o fim da Longa Marcha

Pequim assinala ao longo de todo este mês o fim da iniciativa que consagrou Mao Zedong como o líder indisputado do Partido Comunista Chinês. Os 80 anos do fim da Longa Marcha são também uma oportunidade para Xi Jinping se afirmar como um sucessor digno de Mao, defendem vários analistas.

1-longa-marcha

A República Popular da China celebra este mês, com séries de televisão, documentários ou exibições, 80 anos desde o fim da Longa Marcha, a epopeia que consagrou o Partido Comunista Chinês (PCC) e o seu líder, Mao Zedong

Perante o cerco do exército da República da China, então controlada pelo Partido Nacionalista Kuomintang (KMT), os guerrilheiros comunistas empreenderam, a partir de Outubro de 1934, uma retirada de mais de 6.000 quilómetros.

Durante a fuga estratégica, que começou no sul da China e terminou em Yanan, aldeia do norte da China onde os comunistas estabeleceram uma base a partir da qual conquistariam o país, morreram mais de 90 por cento dos combatentes.

O aniversário da gesta tem sido celebrado ao longo deste mês, com a difusão diária de notícias e artigos assinados, séries de televisão, programas de rádio, concertos ou exibições, que exaltam o heroísmo dos fundadores do Partido Comunista Chinês e a necessidade de o país realizar uma “nova Longa Marcha”: “A China está no início de uma nova Longa Marcha, rumo ao rejuvenescimento da nação chinesa”, proclamou o jornal oficial do PCC, o Diário do Povo, num editorial assinado no início deste mês.

A agência oficial Xinhua destacou ainda a “inteligência e vontade” daquela epopeia como inspiração, tanto para a China como para o mundo de que se poder “tornar possível o impossível”.

O Presidente chinês, Xi Jinping, celebrou a ocasião com visitas a museus na região de Ningxia, no noroeste do Continente, e em Pequim.

O líder chinês afirmou que o partido tem de adoptar o espírito daquela marcha, para alcançar o “sonho chinês” de rejuvenescimento da nação e o objectivo de construir uma “sociedade moderadamente confortável”, até 2021, ano em que o Partido Comunista Chinês celebra um século: “Nós, a nova geração, devemos concretizar a nossa Longa Marcha”, disse Xi Jinping.

Evocar a lenda é “uma lembrança para todos de que o partido, de facto, significou e significa algo”, apesar de ter perdido o “propósito e legitimidade”, afirmou à agência France Presse Trey McArver, analista político na Trusted Sources, em Londres.

As referências do presidente da República Popular da China à Longa Marcha reflectem o seu desejo de canalizar a autoridade de Mao, disse à AFP Liu Tong, historiador na Universidade de Jiaotong, em Xangai.

A governança da China tornou-se mais centrada na figura do líder, desde que Xi ascendeu ao poder, um estilo que se “assemelha ao de Mao em muitos aspectos”, afirmou o historiador, acrescentando que celebrar a Longa Marcha relaciona Xi com o “símbolo de triunfo dos comunistas”.

 

 

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s