A cidade e o paraíso. Mapas que dão que pensar

O artista local Eric Fok lançou o seu primeiro livro. “Paradise: When Antique Maps Meet Modern Cities” alia preocupações modernas a um mergulho na histórias de várias cidades e sociedades pós-coloniais. A obra está à venda em Macau, Hong Kong e Taiwan.

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Wendi Song

Publicado conjuntamente pela editora Join Publishing (H.K.) Co., Ltd e a revista local NEW GEN. Monthly, com apoio para publicação do Instituto Cultural o novo livro do artista Eric Fok – “Paradise: When Antique Maps Meet Modern Cities” – foi lançado e já se encontra à venda em Macau, em Hong Kong e em Taiwan.

Publicado em chinês e em inglês e com uma primeira edição de 1400 cópias, a obra de estreia do jovem ilustrador  apresenta 60 peças seleccionadas das mais de 200 peças da série Eric’s Paradise, em que o artista, de 26 anos, trabalha desde 2012.

Entre as reproduções incluídas na obra está um fac símile do primeiro trabalho que vendeu – Paradise No. 15 – e também cópias das obras Paradise No. 11 e No. 16, que foram seleccionados para a “50th Bologna Illustrators Exhibition”. Distinguida pela Fundação Oriente, a peça “Paradise No. 20” e o trabalho “Heung San O Lee Ba”, criado especialmente para o 5º Festival Literário de Macau e evocativo da passagem de Tang Xianzu por Macau, também integram o corpo de ilustrações do livro de estreia do jovem artista.

Eric Fok tem vindo a usar mapas de estilo ocidental e aparência ancestral para retratar os problemas e os desafios que se colocam às cidades modernas, em termos de desenvolvimento urbanístico e de aproveitamento espacial.

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Com um traço firme e o recurso a papel acastanhado, produzido especialmente para o livro, o jovem artista, nascido em Macau na recta final da administração portuguesa, procura ilustrar o passado e o presente de Macau, assim como de outras cidades e sociedades pós-coloniais, como é o caso de Hong Kong, de Singapura e de Taipé.

A exemplo do que ainda sucede na maior parte das escolas do território, a escola frequentada por Eric não ensinava a história de Macau. O seu interesse pelo passado do território surgiu em 2012, quando se iniciou o “boom” da indústria do jogo e o Cotai estava transformado num enorme estaleiro.  Numa certa ocasião, Eric encontrou um velho mapa de Macau e reparou que a linha de costa se havia alterado substancialmente. A revelação foi para o jovem artista um choque. Com mais perguntas do que respostas, Erik Fok iniciou um longo percurso de descoberta: começou a ler livros, a ver filmes, e a frequentar bibliotecas. Tentou ainda explorar referencias em português de forma a procurar compreender melhor o passado de Macau: “A cidade tem vindo a entrar em decadência e a desenvolver-se em voltas; analisar a sua história é também repensá-la,” defende o jovem ilustrador.

Eric começou, depois, a desenhar as suas próprias observações, trabalhando de forma artística as suas preocupações sobre a cidade. Alguns dos seus trabalhos têm por base mapas antigos de Macau, ainda que ocupados por autocarros dos casinos, por edifícios imponentes situados no centro da cidade e por referências improváveis, como um grupo de exploradores portugueses do século XV a perseguir um táxi que se recusa a transportar passageiros ou a tentar entrar num autocarro sobrelotado.

Na sua série “Paradise”, Eric não desenha apenas sobre Macau, mas também sobre algumas cidades europeias da época dos Descobrimentos e outras sociedades pós-coloniais. Com esta opção, o artista espera encontrar respostas às suas interrogações sobre Macau, ao mesmo tempo que procura ompreender o desenvolvimento de outras cidades.

Em “Paradise: When Antique Maps Meet Modern Cities”, Eric Fok apresenta também um novo trabalho, designado “Paradise: Hong Kong”. Na obra, Eric descreve a chegada dos navios mercantes ingleses a Hong Kong há mais de 160 anos, numa composição em que convivem com os edifícios modernos que crescem nas margens do Victoria Harbour. Na obra consegue-se ver ainda várias tendas com jornalistas a tirar fotografias, uma cena familiar do movimento de protesto que sacudiu a vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong há dois anos:

“Eu queria desenhar sobre o passado e o presente de Hong Kong para examinar as opiniões sobre a “Revolução dos Guarda-Chuvas”. Foi um evento histórico muito importante”, explica Eric.

“Eu estava à procura de soluções quando comecei a desenhar. Eu li as histórias do desenvolvimento das cidades. Algumas ensinam sobre experiências, outras ensinam lições. Contudo, percebi gradualmente que nem tudo é tão simples e fácil de mudar, especialmente quando te importas com a cidade em que moras”, defende Eric.

“O que é que podemos fazer? O que é que podemos mudar?”, escreve o artista no prefácio do seu livro. “Confesso que não tenho a coragem para dar um passo à frente e protestar, mas talvez eu possa deixar marcados os meus pensamentos e as minhas questões a esta sociedade e geração através da minha técnica de desenho”, propõe-se o jovem ilustrador.

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