Tailândia: Junta militar mantém calendário eleitoral

Mesmo mergulhada no luto, a Tailândia deve ir às urnas no próximo ano para eleger um novo Governo. A garantia é dada pela Junta Militar que governa o país, que defende que a morte do rei Bhumibol Adulyadej, na passada quinta-feira, não deve mudar a actividade regular do Executivo.

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O Governo tailandês mantém a intenção de convocar eleições gerais em 2017, como prevê o programa da junta militar que lidera o país, apesar da morte do rei Bhumibol Adulyadej, noticiou ontem a imprensa do país.

O porta-voz do Governo, Sansern Kaewkamnerd, disse que o luto pela morte do monarca, na semana passada, não mudará a actividade regular do Executivo, de acordo com o diário Bangkok Post.

Depois de uma reunião de vários organismos governamentais, o porta-voz do Executivo tailandês afirmou que a administração do país não opera no vazio e que o Governo do primeiro-ministro Prayut Chan-ocha “mantém-se firme no seu plano de acção rumo às próximas eleições gerais”.

“O primeiro-ministro transmitiu uma mensagem a todas as agências do Governo para que, apesar do luto, não se esqueçam de levar a cabo as suas obrigações. Podemos estar tristes, mas não nos podemos permitir perder o nosso amor ao país”, afirmou Sansern.

As autoridades declararam um ano de luto oficial pela morte do rei, que reinou durante 70 anos e era o monarca há mais tempo em funções em todo o mundo.

O príncipe herdeiro, Vajiralongkorn, pediu para a sua coroação ser adiada até estar cumprido o período de luto. Na terça-feira da semana passada, dois dias antes da morte do rei, o Governo recebeu a proposta final para a nova Constituição da Tailândia, aprovada em Agosto num referendo e que para entrar em vigor terá de ser ratificada pelo rei do país.

A junta militar, no poder desde o golpe de estado de Maio de 2014, colocou como condição para convocar eleições e restabelecer a democracia a aprovação da nova Constituição.

No domingo, a junta militar expressou lealdade ao príncipe herdeiro, para acabar com a incerteza sobre a sucessão ao trono.

Assim o comunicou o primeiro-ministro e chefe da junta, poucas horas depois de ter uma audiência com o príncipe durante a qual também esteve presente o regente temporário Prem Tinunlasondo, segundo o Bangkok Post.

“O governo e o Conselho Nacional para a Paz e a Ordem [nome oficial da junta militar], vendo os tributos de afecto do povo [ao monarca falecido Bhumibol Adulyadej], quer prometer que cumprirá com as suas obrigações com honestidade e lealdade aos requerimentos do príncipe herdeiro”, sublinhou Prayut numa mensagem transmitida pela televisão.

Segundo Prayut, o príncipe reiterou na audiência o desejo de atrasar a sua proclamação como novo rei enquanto durar o período de luto, mas não especificou quanto tempo decorrerá até que Vajiralongkorn assuma o trono.

Prayut assegurou que o príncipe pediu calma aos tailandeses, já que o processo de sucessão está claramente definido na Constituição, as leis do Palácio e a tradição.

O monarca falecido é o único rei conhecido pela maioria dos tailandeses, que o consideravam como um ser quase divino, símbolo da unidade e guia da nação.

A sua morte abre uma série de interrogações sobre o futuro da Tailândia porque Vajiralongkorn viveu grande parte da sua vida no estrangeiro, desligado dos assuntos da coroa e não herdou a popularidade do pai.

 

 

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