CSI: Crime Série Ilustrada

As histórias publicadas nesta secção são escritas com base em versão apresentada pelas forças de segurança – PJ e PSP. Salvaguarde-se a presunção de inocência dos envolvidos, aqui identificados apenas com uma inicial arbitrária e sem relação propositada com os seus nomes verdadeiros, e cujos casos ainda não foram julgados em tribunal.

Cara residência

pf1670csi_1Nascido na China, M. mudou-se para o Japão com a família quando era ainda muito pequeno. Foi no país do Sol Nascente que cresceu e se fez homem e hoje é um cidadão japonês. Mas quando soube que era possível obter facilmente a residência de Macau, o apelo das raízes falou mais alto e tratou de saber exactamente como é que a coisa funcionava.

K.,  um indivíduo que conhecera na aplicação WeChat, no dia 20 de Agosto, era de Macau e demonstrava um profundo conhecimento sobre os trâmites necessários: alegadamente, era possível obter a residência por via de investimento em Macau. Na prática, M. tinha de investir 100 mil patacas na empresa de K., o que, além de lhe valer o BIR de Macau, dava direito a uma parcela dos lucros da firma. Sem demora, tratou de transferir o dinheiro para a conta indicada.

Mas, azar dos azares, não é que a política de atribuição de residência do Governo de Macau mudou com o seu processo a decorrer? Pelo menos, foi o que explicou K. no telefonema seguinte. O valor mínimo de investimento tinha subido e, para conseguir o Bilhete de Identidade de Residente, teria de investir mais 200 mil patacas. A segunda transferência foi feita no dia 5 de Outubro.

Mas, uma nova chamada telefónica, agora de um alegado colega de K., trazia desta vez boas notícias (ou seriam más?): A empresa tinha obtido lucro e M. tinha direito a receber a parte que lhe cabia. Acontece que, para que tal pudesse ser realizado, era preciso pagar o respectivo imposto, através de uma transferência cuja maior parte seria posteriormente devolvida. O valor? 390 mil patacas. No dia 11, uma vez mais, M. foi ao banco.

Dois dias depois, o mesmo homem voltou a ligar, a dizer que estava tudo a postos para que fosse efectuada a restituição. Bastava apenas que M. efectuasse a transferência relativa à caução, de 240 mil patacas. E assim foi.

Mas, desde a quinta-feira passada que, por muito que tente ligar ou mandar mensagens de WeChat, M. não tem conseguido entrar em contacto com o “sócio”. Só então a ideia de que pudesse ter sido vítima de um golpe começou a pairar nos seus temores. Tanto que veio a Macau, de propósito do Japão, para contar à Polícia Judiciária o que se tinha passado. Ao todo, foram quase 950 mil patacas de prejuízo. A polícia de investigação do território está a investigar este caso de burla.

O irresistível cobre

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Ficou todo contente quando aquela mulher, que conhecera por acaso na rua, disse que lhe podia ajudar a conseguir um trabalho como segurança num estaleiro de obras na Taipa. S. tinha chegado do Vietname havia já algum tempo e o emprego abria novas perspectivas de prosseguir em Macau. Com tudo acertado, no dia marcado foi ao gabinete do estaleiro para pedir a chave e começar a trabalhar. Reparou nuns fios de cobre que ali estavam e que, pensou, eram capazes de valer um bom dinheiro.

Passados uns dias, o porteiro do estaleiro sentiu-se mal disposto e saiu do local sem notificar: “Não é tarde nem é cedo”, terá pensado S., chamando de seguida dois dos seus amigos para irem ali jantar com ele no gabinete do estaleiro e celebrar o seu novo emprego.

Tudo corria bem, até que repararam que a polícia, andava a fazer umas rondas na zona. Como estavam os três sem os documentos em dia, fugiram. Mas S., de 20 e poucos anos, e um dos seus dois amigos, de 30 e tal, acabariam por ser interceptados pela PSP. Alertado, o responsável do estaleiro foi até ao gabinete verificar se estava tudo em ordem. Reparou que faltava alguma coisa, quando encontrou, no chão, um saco de nylon que não conhecia. No seu interior: 102 pedaços cortados de fio de cobre (avaliados em 22 mil patacas) que, ao que tudo indica, os amigos se preparavam para roubar. Os dois detidos foram presentes ao Ministério Público, por furto.

Luzes, câmara, simulação

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Apesar de trabalhar como caixa num supermercado, o que F. gostava mesmo de ser era actriz. Aos 35 anos, começa a ver a vida a passar-lhe ao lado pelo que resolveu recorrer ao jogo para tentar conseguir aquele empurrãozinho financeiro que lhe ajudasse a alavancar o seu sonho.

Pediu dinheiro emprestado a um homem num casino, mas acabaria por perder tudo quando lhe faltava pagar ainda 7500 patacas. Sem contemplações, o homem levou-a pelo braço para a rua para que levantasse o dinheiro em dívida. Ao avistar um polícia, no entanto, F. resolveu pôr à prova os seus dotes de actriz e berrou: “Roubo!!”

O agiota fugiu e o agente da Polícia de Segurança Pública acorreu em auxílio daquela suposta vítima de assalto. Levada para a esquadra para apresentar queixa, foi muito convincente na interpretação do seu papel, mas escrever o guião não era com ela. Acabou por tropeçar nalgumas incongruências e a polícia descobriu que estava a mentir.

Confessou que inventara a história do roubo para que a polícia a ajudasse a livrar-se do agiota, o que havia conseguido com eficácia. Mas não se livrou de ter de responder perante o MP, por simulação de crime. Quanto ao caso de usura, a PJ continua a investigar, com o homem que emprestou o dinheiro ainda a monte.

Um banquete dos gatunos?

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A funcionária da caixa, num supermercado da Areia Preta, desconfiou daquela idosa: porque é que parecia tão nervosa ao comprar um mero saquinho de vegetais? Chamou-a e o segurança de pronto barrou-lhe a passagem. Dentro da sua sacola, havia pacotes de carne no valor de 76 patacas. Foi no sábado, por volta das 22h, que D., de 57 anos, desempregada, foi detida, sendo que já tinha cadastro por crimes do género.

Duas horas antes, por coincidência, num outro supermercado do mesmo bairro, H., de 31 anos, também desempregado, foi igualmente interceptado à saída, pelos seguranças. A mochila preta que carregava, novinha em folha, era do supermercado e, no seu interior, alguns alimentos, panelas e outros utensílios de cozinha, num total de 739 patacas. O sujeito admitiu o furto.

Embora pudesse parecer que os dois crimes fossem uma acção concertada para preparar um belo banquete dos larápios, a PSP acredita que os dois casos não tinham ligação.

 

 

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