Nas telas de James Chu impõe-se a desaceleração do tempo

Entre 24 de Outubro e 13 de Novembro, o Macau Art Garden acolhe “Perpetual Splendour”, a próxima exposição individual do artista e designer James Chu. José Drummond, curador da mostra, descreve um trabalho de pintura em acrílico que encerra um desejo de vida, de procura do que permanece e de uma qualquer humanidade que não se esgota.

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Sílvia Gonçalves

O conjunto, constituído por seis telas em grande escala, traduz uma narrativa interior, uma procura de substância que obriga à desaceleração do tempo. E o todo questiona a velocidade, a permanência e finitude. Acolhe um desejo de esperança e humanidade. James Chu apresenta no Macau Art Garden uma mostra de pintura que encerra, na relação das telas com o objecto posicionado ao centro da sala, uma promessa de eternidade, nas flores de plástico que persistem, que não murcham. “Perpetual Splendour” estende uma tentativa, indissociável da própria arte, de ponderar sobre o sentido da vida, diz o curador da exposição.

“Apesar de ter pintura como o media em destaque, na minha perspectiva a exposição ultrapassa essa limitação e chega a ser instalação. Existe um modo de envolvência pictórica à volta de um outro objecto no centro da sala que confere um significado especial à montagem no espaço e ao contexto do trabalho”, conta José Drummond, que assume a curadoria da exposição, ao PONTO FINAL.

O curador descreve uma relação com o artista que se perpetua e que encontra afinidade e proximidade na produção artística: “O James trabalha em vários media e habitualmente debaixo de um conceito. É um artista que não está simplesmente interessado nos aspectos retinianos da arte e que tenta sempre transmitir uma mensagem pessoal. Nesse sentido, esta exposição não foge ao seu habitual. Nós conhecemo-nos talvez há vinte anos e temos estado sempre bastante próximos no fazer artístico”, assume José Drummond.

O curador, a quem cabe pela segunda vez ser um leitor próximo e analítico do trabalho de Chu, enquadra assim uma série cuja abstração transcende a concretização plástica: “O conceito tem muito de espiritual, poético e até também de filosófico, tentando ponderar sobre o sentido da vida, da passagem e permanência, sobre o tempo e de como lhe reduzir a velocidade ou até mesmo poder ambicionar a contemplação de parar”.

Na narrativa que Drummond alinhou sobre a série à qual ajudou a conferir unidade, ressalta qualquer coisa de onírico, suspensa entre o desejo e a sua representação emocional:  “Em ‘Perpetual Splendour’, James Chu dá-nos uma história, uma história pessoal sobre o tempo com um desejo de vida, um contínuo desabrochar, um sol permanente, uma lua constante. É uma história onde há uma busca delicada pelo que pode ser uma feliz sensação de saudade e de transformação. É uma história de busca dessa substância perdida onde a memória e as emoções realizam reflexões do eterno”.

No texto que acompanha a exposição, Drummond descreve ainda um trabalho sobre o qual repousa uma qualquer esperança vinculada, inevitavelmente, à imperfeição: “Estas pinturas abstractas aparecem separadas de qualquer representação específica, como deveriam ser, e amplificam camadas e camadas de emoções em conexão com o elemento escultural central. Isto é o quão hipnotizante uma história pode ser se deixarmos as emoções falarem por nós. E talvez a esperança devesse permanecer sempre nesse estado de melancolia em bruto, porque assim é tanto melancólica como é a aceitação da vida como um círculo imperfeito. Porque uma esperança como essa é sobre o quão vulneráveis somos face às emoções fortes”.

Na leitura do curador denuncia-se a amálgama de emoções de um espectador que parece render-se, no confronto com a obra que fere, a uma humanidade que não se esvai: “Há tanta humanidade na história contada nesta exposição, há esse esmagador sentido de humanidade, onde a procura pelo aqui e agora se torna o momento em que o mundo pára e tudo é uma promessa eterna, esse momento quando um esplendor perpétuo é possível porque uma flor de plástico nunca morre”.

 

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