Lajes na rota de Pequim para pesquisa científica

 

Se os Estados Unidos não renovarem o interesse em operar a base das Lajes, Lisboa poderá concessionar a estrutura à China. António Costa deixa, ainda assim, claro que a base só poderá ser utilizada por Pequim para fins científicos.

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Antes de deixar Macau, na quarta-feira, António Costa abriu as portas à utilização da base aérea das Lajes por parte da China caso os Estados Unidos não renovem o acordo de exclusividade, mas Pequim só poderá utilizar a estrutura para fins científicos e não militares.

Em entrevista à Bloomberg, concedida no território, o primeiro-ministro português lembrou que o acordo com Washington ainda se mantém e seria para manter por vontade de Lisboa:  “Temos um acordo com os Estados Unidos, e queremos continuar com esse acordo, mas respeitamos a decisão” dos norte-americanos, disse António Costa. “A base nos Açores é muito importante em termos militares, mas também em termos de logística e tecnologia e pesquisa nas águas profundas e de alterações climáticas”, sublinhou o chefe do Governo de Lisboa.

Perante a insistência do jornalista da Bloomberg sobre a utilização da base aérea pela China, Costa admitiu que caso os Estados Unidos abram mão das Lajes, a China entra na equação: “Claro que é uma boa oportunidade para criar uma plataforma de pesquisa científica e estamos abertos a cooperação com todos os parceiros, incluindo a China”.

O primeiro-ministro português, na entrevista que concedeu à Bloomberg no território, frisou, no entanto, que “o uso militar da base não está em cima da mesa, o que está em cima da mesa é reutilizar a infra-estrutura para fins de pesquisa”: “Seria uma enorme pena não usar a infra-estrutura, e se não para fins militares, porque não para pesquisa científica”, questionou o chefe do Executivo no final da entrevista.

Antes, já António Costa tinha garantido que Portugal não tem qualquer problema com os investimentos chineses, que classificou de muito positivos para a economia: “Portugal tem sido sempre uma economia aberta e o investimento chinês tem sido muito positivo, particularmente no sector financeiro, mas também na energia e noutros, por exemplo, o investimento chinês permitiu re-capitalizar os nossos bancos”, disse António Costa.

Sobre a banca, disse aliás que “no final do ano esperamos ultrapassar os problemas com os bancos” e ter “uma solução com crédito malparado”.

Questionado sobre se está confortável com a diversidade de áreas em que o investimento da segunda maior economia do mundo tem estado a ser feito, António Costa disse sentir-se “bastante confortável” e exemplificou que também há investimento avultado de Espanha e Angola: “Queremos uma economia aberta, queremos diversificar as fontes de investimento, e vemos isso como uma vantagem e não como uma desvantagem”, vincou o chefe do Governo.

Questionado sobre as consequências da saída do Reino Unido da União Europeia, Costa disse estar “confiante de que as relações centenárias entre os dois países vão permanecer fortes”.

 

 

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