Mudança da sede do fundo de investimento é “prenda” de Pequim

O secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, considera uma dádiva o facto do território passar a albergar a sede do fundo de mil milhões de dólares instituído pelo Governo Central. A medida vai ajudar Macau a tornar-se um centro financeiro internacional, defende Leong.

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A mudança para Macau da sede do fundo chinês de mil milhões de dólares destinado a investimentos de e para o universo lusófono figura como uma “prenda” de Pequim, afirmou ontem o secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong.

“Esta mudança é muito vantajosa para Macau e também pode maximizar, ou aliás reflectir melhor, Macau como [um] centro financeiro. Não só pode maximizar o papel, mas ajudar-nos a realizar ou a processar todas as operações entre a China e os países de língua portuguesa”, observou Lionel Leong, em conferência de imprensa, descrevendo a decisão como uma “prenda” por parte do governo central chinês.

O presidente do Fundo de Cooperação para o Desenvolvimento entre a China e os Países de Língua Portuguesa, Chi Jianxin, avançou ontem à agência Lusa que a sede do fundo vai ser transferida de Pequim para Macau para facilitar a divulgação e o contacto junto dos potenciais interessados.

Essa mudança “é bastante útil para Macau melhor desempenhar o seu papel e também é bastante vantajoso e benéfico, (…) especialmente para as pequenas e médias empresas”, realçou Lionel Leong, destacando que assim poder-se-á prestar “um melhor serviço” aos empresários da China e dos países de língua portuguesa.

O secretário para a Economia e Finanças indicou que o Governo pretende ainda auscultar o sector empresarial para que os empresários se pronunciem sobre o modelo de funcionamento que entendem que deve ter em Macau o fundo que foi pensado para apoiar as empresas do interior da China e de Macau no investimento nos países de língua portuguesa e atrair o entidades lusófonas na China.

Activado no final de Junho de 2013 – três anos depois de anunciado pelo então primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, no âmbito da III conferência ministerial do Fórum para a Cooperação Económica entre a China e os Países de Língua Portuguesa,o fundo aprovou o financiamento de apenas dois projectos, um proveniente da Angola e um chinês para Moçambique, no valor global de 16,5 milhões de dólares.

Lionel Leong falou ainda do novo desígnio de transformar Macau numa “plataforma de serviços financeiros entre a China e os países de língua portuguesa”, “a fim de fornecer o apoio financeiro para as cooperações empresariais”, que se encontra plasmado, aliás, nas medidas anunciadas pelo primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, para o período 2017-19, no âmbito da V Conferência Ministerial do Fórum Macau, que terminou ontem.

“Quanto à plataforma de serviços financeiros, o que nós queremos é promover o surgimento de actividades financeiras com características de Macau. O que é isso? Locação financeira, por exemplo. Se conseguirmos articular-nos com a iniciativa ‘Uma Faixa, uma Rota’ e promover a cooperação da capacidade produtiva então podemos fazer uma conjugação”, sustentou o secretário para a Economia e Finanças.

Produtos em renminbi, gestão de capitais e/ou de fundos constituem outros ramos de actividade a equacionar no âmbito da referida plataforma de serviços financeiros: “Na cooperação regional ou através destas plataformas de liquidação do renminbi (…) podemos ter outros ramos de actividade a emergir (…) e assim poder puxar o surgimento de outras empresas”, disse, deixando antever um outro caminho rumo à desejada diversificação do tecido económico.

A transformação de Macau num centro de liquidação de reminbi para os países lusófonos e o estabelecimento de um seguro de crédito à exportação figuram entre as medidas de apoio ao desenvolvimento da Região Administrativa Especial chinesa anunciadas pelo primeiro-ministro chinês.

Lionel Leong reconheceu, porém, que essa plataforma de serviços financeiros “não se faz de um dia para o outro”, até porque há “um factor muito importante” a ter em conta: “Temos que ter quadros qualificados e, por isso, temos de apostar na formação”.

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