Macau consolida-se como plataforma de cooperação sino-lusófona

A reunião dedicada aos empresários e quadros da área financeira, incluída na conferência ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, contou com bolsas de contactos empresariais e sessões de intercâmbio e de informação sobre negócios.

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Rodrigo de Matos

Terminou ontem a quinta Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, não sem antes terem sido assinados vários acordos entre os membros da organização. Os convénios estão todos focados no aumento da cooperação económica e comercial. Entre os principais, está o protocolo que determina a criação da Confederação dos Empresários da China e dos Países de Língua Portuguesa. Macau, por sua vez, deu mais um passo seguro para consolidar o seu papel de plataforma nesse desiderato.

O aprofundamento da cooperação em todas as áreas entre a China e os países de língua portuguesa, com Macau como plataforma, foi, de resto uma dos três pontos essenciais da proposta do Ministério do Comércio da China, representado na Conferência dos Empresários e dos Quadros da Área Financeira, na manhã de ontem, pela sua vice-ministra, Gao Yan: “O papel de Macau como a plataforma de serviços de comércio entre a China e os países de língua portuguesa tem-se evidenciado de forma cada vez mais óbvia. As empresas de Macau prestam cada vez mais serviços profissionais de qualidade em termos de linguagem, legislação e financeiros para a cooperação de comércio, investimento e indústria entre a China e os países de língua portuguesa”, referiu a responsável do Governo Central.

Para o ministro português da Economia, Manuel Caldeira Cabral, “Macau é hoje uma importante plataforma comercial e de serviços entre a China e os países lusófonos”.

 

Um ponto de síntese de valores e ideais

 

E que vantagens tem Macau para o desempenho desse papel? Na opinião do ministro brasileiro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, todas: “Não tenho conhecimento de nenhum outro lugar do mundo em que é possível, por exemplo, peticionar às autoridades judiciárias em português ou em chinês, como se vê aqui em Macau”, exemplificou Marcos Pereira, afirmando ter ficado muito agradado com o que observou na RAEM.

“Impressionei-me com esta cidade, esta ilha, nestes últimos dias. Realmente, trata-se de um lugar único no mundo ao propiciar integração tão marcante entre história e cultura portuguesa e chinesa”, confessou o representante do Governo do Brasil, destacando a “síntese de valores e ideais” que a cidade encerra.

A conferência dedicada à área financeira, que contou com cerca de 500 participantes, entre delegados governamentais e representantes do sector privado e de parcerias público-privadas, não terminou sem que tivesse tido lugar uma sessão de informação sobre negócios para “manter os convidados actualizados sobre informações de mercado” e sessões de intercâmbio e bolsas de contactos empresariais: “Estamos convictos de que sairemos de Macau com a grata satisfação motivada pela maior compreensão da actual realidade económica de Angola, das enormes oportunidades de negócio e de investimentos disponíveis”, congratulou-se António Tiago Gomes, secretário-geral da Câmara de Comércio e Indústria angolana.

 

 

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Mercados sedentos de parcerias

 

As relações económicas e comerciais entre a China e os países de língua portuguesa têm-se tornado cada vez mais estreitas. Entre 2013 e 2015, o fluxo de comércio sino-lusófono acumulado ultrapassou os 360 mil milhões de dólares (2,87 biliões de patacas), sendo que a República Popular da China consolidou a sua posição de maior parceiro comercial que vários países de língua portuguesa – entre os quais Portugal – têm na Ásia. Pequim permanece, de resto, como o maior parceiro do Brasil pelo sétimo ano consecutivo.

Até ao final do ano passado, os investimentos acumulados da China nos países de língua portuguesa em variadas áreas chegou a cerca de 50 mil milhões de dólares, qualquer coisa como 400 mil milhões de patacas. Para países como Portugal ou Moçambique, a China é já uma das principais fontes investimento estrangeiro: “É cada vez maior a diversidade das cooperações entre a China e os países de língua portuguesa. As empresas dos países participantes do Fórum de Macau têm inovado nas formas de cooperação nos domínios de eletricidade, seguros, entre outros, conseguindo benefícios mútuos através da cooperação trilateral ou até multilateral”, observou Gao Yan, vice-ministra do Comércio da China.

 

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