Caos na LegCo. Novos deputados desafiam Pequim

O Conselho Legislativo de Hong Kong suspendeu a primeira reunião da nova legislatura, depois de alguns dos novos deputados do parlamento da antiga colónia britânica terem deturpado o julgamento em que reconhecem que a RAEHK é parte integrante de Hong Kong. Baggio Leung e Yau Wai-ching comprometeram-se, por exemplo, a servir a nação de Hong Kong.

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Alguns dos novos deputados da vizinha Região Administrativa Especial de Hong Kong manifestaram-se esta quarta-feira contra o que dizem ser a “tirania” da República Popular da China, ao prestarem juramento na tomada de posse no Conselho Legislativo, levando à suspensão da sessão.

A primeira reunião da nova legislatura acontece após a eleição, no mês passado, de vários novos deputados que apoiam uma maior autonomia e até a independência da antiga colónia britânica.

Tal como Macau, Hong Kong opera sob o princípio ‘Um país, dois sistemas’, que garante a quem vive nas duas cidades liberdades que não existem no resto da China. No entanto, aumentam os receios de que essas liberdades estejam a ser ameaçadas pelo Governo Central.

Antes de assumirem as funções, os deputados devem fazer um curto juramento, em que declaram que Hong Kong é uma “região administrativa especial” da China. O Governo tinha alertado os deputados que arriscavam perder os assentos se não prestassem o juramento de forma adequada.

Nathan Law, de 23 anos, o mais jovem deputado do hemiciclo e antigo líder dos protestos pró-democracia de 2014, fez um discurso emocionado antes de prestar juramento: “Podem acorrentar-me, podem torturar-me, podem até destruir o meu corpo, mas nunca vão conseguir prender a minha mente”, disse.

De cada vez que se referiu à República Popular da China durante o juramento, Law mudou o tom de voz modo a tornar a palavra numa pergunta.

Law, que pede a auto-determinação de antiga colónia britânica, foi um dos principais líderes do Movimento dos Guarda-Chuvas, em 2014, que levou dezenas de milhares de pessoas às ruas, pedindo reformas democráticas.

Dois novos deputados pró-independência, Baggio Leung e Yau Wai-ching, adicionaram as suas palavras antes do juramento, comprometendo-se a servir a “nação de Hong Kong”. Leung envergou uma bandeira com as palavras “Hong Kong não é China”.

Ambos prestaram depois o juramento por inteiro, em inglês, mas recusaram-se a pronunciar “China” correctamente.

O novo deputado Eddie Chu, que apoia a realização de um referendo sobre o futuro da soberania de Hong Kong, gritou: “Autodeterminação democrática! A tirania vai morrer!” após o seu juramento.

Lau Siu-lai, também antiga activista do Movimento dos Guarda-Chuvas, leu todas as palavras do juramento a passo de caracol, fazendo com que alguns deputados pró-Pequim saíssem da sala. O secretário do Conselho Legislativo disse a Leung, Yau e a outro deputado pró-democracia que não podia “administrar” os seus juramentos já que os tinham modificado.

A sessão foi suspensa após Law se recusar a voltar ao seu lugar, questionando o porquê de o secretário ter recusado os juramentos dos três deputados.

 

 

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