Abrir caminho à distribuição de filmes no interior da China

A Creative Macau ocupa no próximo sábado o auditório do Museu de Arte de Macau com um simpósio sobre produção e distribuição cinematográfica, que toma como exemplo o desenvolvimento de Shenzhen enquanto plataforma de distribuição cinematográfica. O encontro, que conta com a participação de oito palestrantes, procura fomentar a distribuição de filmes locais no gigantesco mercado que se estende para lá das Portas do Cerco.

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Sílvia Gonçalves

A Creative Macau organiza a 15 de Outubro, entre as 10 e as 17 horas, um simpósio que carrega um título extenso: “Produção e distribuição de filmes internacionais na China: Explorando o potencial de desenvolvimento de Shenzhen como um mercado de filmes”. O encontro tem como propósito potenciar o contacto entre produtores e distribuidores de Shenzhen – metrópole  onde a indústria do cinema conhece um crescimento evidente – e os realizadores de Macau, para alavancar a distribuição da produção cinematográfica local na República Popular da China.

“Pensei neste simpósio para poder ser útil no sentido de apresentar, dar a conhecer algo que se está a fazer em Shenzhen aos realizadores locais. Porque os realizadores locais têm muitas dificuldades em distribuir os seus filmes”, conta Lúcia Lemos. A directora da Creative Macau reuniu para este simpósio um painel de oito oradores, produtores, distribuidores, promotores e críticos, oriundos de Macau e de Hong Kong, mas maioritariamente de Shenzhen, cidade que se tem vindo a afirmar no panorama cinéfilo do Continente.

“Convidei estes produtores e distribuidores de Shenzhen para falarem do potencial que Shenzhen neste momento tem nesta distribuição pelas salas de cinemas, que é um grande potencial. No fundo é para tentar ver se eles conseguem atrair os locais para apresentarem lá os seus filmes”. Os oradores são Lorence Chan Ka Keong, He Yun, Leo Li, Yang Ying, Tracy Choi Ian Sin, Joyce Yang, Emily Chan e Maxim Bessmertny.

Aproximar as vertentes da criação e da distribuição cinematográfica orienta os desígnios de um simpósio que se poderá traduzir pela abertura de uma porta para os realizadores locais, em larga medida ainda apartados da distribuição na China continental: “Eles como agentes querem tentar ver se em Macau e Hong Kong podem eventualmente atrair realizadores locais que queiram distribuir os seus filmes lá. Se os de Shenzhen virem que Macau tem potencial, por que não? Isto é um encontro, no fundo eles vão falar sobre o que fazem lá em Shenzhen, e os daqui vão falar sobre o que realizam. São encontros para as pessoas se conhecerem e iniciarem contactos”.

Mas o simpósio também encaixa no título a produção e distribuição de filmes internacionais na China. Nesse âmbito, são conhecidas as barreiras que ainda se colocam à entrada e projecção de algumas películas do exterior: “É público, em Hong Kong ouvi isso, nos debates com produtores e distribuidores chineses, da China, de Hong Kong. Uma das coisas que eles falam é que há dificuldades, porque cada vez há maior censura. A China tem cada vez mais cuidado, tem preocupações com os conteúdos. No fundo é isso”, sublinha a responsável pela Creative Macau.

Ainda assim, salienta Lúcia Lemos, o crescimento de Shenzhen surge vinculado a um forte investimento governamental: “Do que eu me apercebi lá, porque fui a Shenzhen ver isso, estar com as pessoas, é que é uma aposta. O Governo chinês apostou fortemente na distribuição e promoção da indústria de cinema. Shenzhen é um caso particular, como há outros sítios, Pequim, etc. Mas é uma das indústrias criativas que eles querem desenvolver, não só dentro, mas também pretendem fazer com que essas produções vão para fora. Eles apostaram imenso na produção de cinema”, assinala.

Lúcia Lemos traça o que diz ser um cenário, em Shenzhen, que leva um avanço para já difícil de igualar: “É abismal, é uma diferença aqui de Macau ou de Hong Kong, porque parece que o cinema de Hong Kong foi um bocado abaixo e então está a ir para a China. Em Shenzhen é um exagero, quase a cada 100 metros há uma sala de cinema. Têm vários shoppings e todos têm cinemas e mostram filmes estrangeiros”.

E em Macau, que impulso tem o Governo conferido à produção cinematográfica? “Já há apoio e muito. Mas as indústrias criativas, em qualquer disciplina, estão a nascer. Não é a nascer. Já nasceram, mas estão andando lentamente. Ainda não há uma indústria cinematográfica em Macau, mas já há muita gente que faz filmes, longas, curtas-metragens, documentário, ficção, animação”, explica.

Para a directora da Creative Macau – organismo que também organiza o Sound & Image Challenge International Festival – da sucessão de eventos pode resultar uma maior e necessária atenção das entidades governativas: “Somos uma organização, como outras instituições e associações, que se interessam por isto, por promover, divulgar, porque quanto mais houver, mais o Governo nota que é preciso prestar atenção”, remata. O simpósio deste sábado tem entrada livre.

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