Visita à China lançou sementeira para a diversificação dos sectores de investimento, diz Costa

António Costa diz ter alcançado bons resultados na deslocação à China, com desenvolvimentos no investimento chinês nos sectores energético, financeiro e portuário. A visita culmina hoje em Shenzhen, com a possibilidade de assinatura de um acordo que permitirá a criação em Portugal de um pólo tecnológico da multinacional chinesa Huawei.

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Fotografia: Eduardo Martins

Sílvia Gonçalves

António Costa marcou ontem presença no Fórum Macau Startup, onde foi assinado um memorando de entendimento entre Portugal e Macau para a promoção do empreendedorismo e da cooperação económica e empresarial. O primeiro-ministro português defendeu, em declarações aos jornalistas, que as empresas portuguesas devem aproveitar o posicionamento de Macau como porta de entrada na China. O governante disse ainda ter alcançado bons resultados na deslocação à China, anunciando desenvolvimentos no investimento chinês em Portugal nos sectores energético e financeiro. Foi “lançada a sementeira” para a desejada diversificação nos sectores de investimento, assegura o chefe do Governo de Lisboa.

O memorando de cooperação tem “em vista apoiar o empreendedorismo, apoiar as startups, e sobretudo a troca de experiências e o encontro entre startups”, explicou António Costa. “Acho que o Web Summit, em Lisboa, vai permitir escalar isto para um nível global, mas é preciso dar continuidade a este movimento, porque quanto mais encontros houver, mas se estimula a criatividade, mais sinergias se geram na inovação, e hoje a economia é feita disso, de criatividade e de inovação”, assinalou o chefe de Governo.

Na competição empresarial realizada durante o Fórum que ontem se realizou foram premiadas três empresas. O primeiro lugar foi atribuído à portuguesa Zaask, seguindo-se a empresa chinesa Insture Honge Intelligence Design e, na terceira posição, a Phantoms, de Macau. As três irão agora participar, em Novembro, no Web Summit Lisboa 2016.

Sobre o posicionamento de Macau na internacionalização de Portugal, António Costa considerou que o território “tem um grande papel” a cumprir: A essência deste fórum é uma boa demonstração disso. A República Popular da China faz muita questão que na aplicação do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’, Macau seja uma ponte de ligação da China com os países de expressão oficial portuguesa. Acho que Portugal se deve sentir honrado com isso”, defende.

Já as empresas portuguesas, “devem aproveitar esta oportunidade, porque não é todos os dias que podemos ter uma porta onde falam a mesma língua que nós, onde o ambiente jurídico é muito semelhante ao nosso, onde a cultura é em grande medida semelhante à nossa. E portanto é uma excelente porta para quem quiser entrar na China , assim como é uma excelente porta para quem, a partir da China, quiser ir para Portugal, e de Portugal para todo o mundo”, sublinhou ainda o primeiro-ministro português.

Na agenda de uma visita de cinco dias à China, que hoje termina, foi claro o propósito assumido pelo Governo português de diversificar os investimentos chineses em Portugal, até hoje muito focados na aquisição de activos empresariais. Os acordos alcançados levam António Costa a falar em bons resultados: “Esta visita tinha dois objectivos: consolidar aquilo que temos, designadamente os investimentos, sobretudo no sector energético, no sector financeiro, e desenvolvê-los. E aí foi um bom resultado. Vamos ter desenvolvimentos na área da energia, quer na produção de energia, de equipamentos de energia solar, quer na área das interconexões”.

O impulso, ambiciona o Governante, deve estender-se ao sector da banca: “No sistema financeiro foram dados passos, houve a aquisição do BANIF Investimentos, há um interesse crescente de instituições financeiras para participar de uma forma mais sustentada em outras instituições bancárias portuguesas que estão no mercado, ou que estão em processo de alienação, como é o caso do Novo Banco”, adiantou.

Segue-se a almejada diversificação dos sectores de investimento: “Foi lançada a sementeira para podermos diversificar esses sectores. Eu acho que vamos ter bons resultados, o primeiro sinal disso foi a assinatura entre o Banco de Desenvolvimento da China, o Haitong Bank e a AICEP, de facilidades para a instalação de empresas chinesas na zona industrial e logística do Porto de Sines, e portanto a existência desse mecanismo de facilitação obviamente ajuda”, recorda o Governante.

A visita termina hoje com uma deslocação ao campus-sede da Huawei, em Shenzhen, de onde poderá resultar a instalação de um centro tecnológico da multinacional chinesa em Portugal. António Costa não assume a iminente assinatura de um acordo que permita a criação de um pólo em Portugal, mas salienta a importância do encontro: “Vamos ver. Vai ser um acordo muito importante entre a Huawei e a PT portuguesa, que terá por objecto desde logo o desenvolvimento da capacidade da rede 4G em Portugal, e vamos ver o que a Huawei tem para assinar. O facto de ter sido assinado também um acordo que vai permitir uma linha directa de Guangzhou-Pequim-Lisboa, a partir de Junho, eu senti muito interesse, designadamente do presidente da Câmara de Xangai, para que Xangai não fique de fora das rotas para Portugal. Acho que vai potenciar muito o desenvolvimento não só do mercado turístico, como dos contactos entre investidores, empresários chineses e o nosso país, e daí nascerá necessariamente uma dinâmica mais produtiva”, concluiu António Costa.

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