Pequim critica intervenção norte-americana na Ásia

O Ministro da Defesa da República Popular da China acusou ontem Washington de colocar em risco a segurança dos outros ao procurar garantir a sua própria segurança. O comentário foi feito durante a sétima edição do fórum de segurança regional de Xiangshan, que ontem decorreu em Pequim.

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O Governo central criticou esta terça-feira a intervenção dos Estados Unidos da América na Ásia, numa altura de renovadas tensões entre as duas principais potências económicas do planeta, em torno das disputas territoriais no Mar do Sul da China e da península coreana. Durante um discurso proferido no sétimo fórum de defesa regional de Xiangshan, em Pequim, o ministro de Defesa chinês, Chang Wanguan, fez várias críticas veladas aos avanços norte-americanos na região: “Alguns países procuram a superioridade militar absoluta, fortalecendo incessantemente as suas alianças militares, e procurando a plena segurança às custas da segurança de outros países”, afirmou Chang, com um reparo cirúrgico endereçado a Washington. As autoridades norte-americanas têm enviado navios de guerra para próximo de ilhas artificiais construídas por Pequim no Mar do Sul da China e estão a preparar-se para instalar um sistema de defesa antimíssil na Coreia do Sul, em resposta aos testes nucleares conduzidos por Pyongyang. Durante a administração de Barack Obama, Washington reforçou a sua presença na Ásia, através de um maior envolvimento militar e económico, que suscitou apreensão em Pequim, que vê nestas investidas uma tentativa de conter o seu crescente poder. A República Popular da China reivindica a soberania sobre quase todo o Mar do Sul da China, com base numa linha que surge nos mapas chineses desde 1940, e tem investido em grandes operações nesta zona, transformando recifes de corais em portos, pistas de aterragem e em outras infra-estruturas. Vietname, Filipinas, Malásia e Taiwan também reivindicam uma parte desta zona, o que tem alimentado intensos diferendos territoriais com Pequim. Em Julho passado, o Tribunal Permanente de Arbitragem (TPA), com sede em Haia, concluiu que não existe uma base legal para Pequim reclamar direitos históricos dentro da ‘linha de nove traços'”. O Governo chinês afirmou que “não aceita e não reconhece” a decisão. O antigo primeiro-ministro australiano Robert Hawke, que também interveio no fórum, avisou que caso as disputas não sejam geridas de forma adequada, poderão tornar-se “num ponto de conflito entre os EUA e a China”: “Estas disputas têm potencial para perturbar todas a ordem regional”, afirmou.

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