O primeiro-ministro chinês e o terror dos jornalistas de Macau e Hong Kong

 

 

Ao contrário dos repórteres das várias províncias chinesas integrantes da comitiva que acompanha Li Keqiang na sua visita a Macau, os das Regiões Administrativas Especiais não são autorizados a chegar muito perto do chefe do Governo Central. Foi assim ontem na aparatosa passagem do primeiro-ministro pela Rua do Cunha.

20161011-8484hn

Rodrigo de Matos

 

Li Keqiang prosseguiu ontem com uma série de visitas a alguns dos mais emblemáticos locais do território. Depois de ter visitado o Museu de Macau, as Ruínas de São Paulo e a Fortaleza do Monte, o primeiro-ministro visitou a escola Kean Peng, privou com um agregado familiar e seguiu depois para a Taipa. O PONTO FINAL acompanhou a passagem do primeiro-ministro chinês pelas lojas tradicionais da Rua do Cunha, na Taipa, mas mal conseguiu vislumbrar o primeiro-ministro, ocultado pela multidão e pelas apertadas medidas de segurança impostas aos jornalistas dos órgãos de comunicação das Regiões Administrativas Especiais.

Tal como na visita do dia anterior à Torre de Macau, os jornalistas reuniram-se no centro de imprensa montado na biblioteca da Universidade de Ciência e Tecnologia (MUST), para um evento inserido no programa da quinta edição do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, uma “Actividade B” envolta em mistério… ou quase: “É na Rua do Cunha, mas estão-me aqui a dizer que não posso dizer onde é”, deixava escapar, em tom divertido, uma funcionária do Gabinete de Comunicação Social (GCS). “Mas também, é fácil de adivinhar. Basta olhar para a cidade e ver onde é que está uma grande concentração de polícias”, acrescentava.

Quando os repórteres chegaram ao local, nos dois autocarros providenciados pela organização, era grande o aparato montado, com dezenas de agentes da polícia a guardarem todos os acessos à via: “Temos que correr, que ele se despachou mais cedo do outro evento onde estava”, anunciava um dos funcionários destacados para acompanhar os jornalistas, que foram então devidamente colocados atrás de barreiras metálicas, distribuídas por vários pontos do trajecto. O PONTO FINAL ficou a meio do caminho, na entrada da Rua do Retiro. Do lado de lá da cerca, na calçada por onde ia passar o líder do Conselho de Estado da República Popular da China, apenas podiam estar os donos e funcionários dos estabelecimentos, a equipa do Gabinete de Comunicação Social e agentes das forças de segurança, e dezenas de turistas que, aparentemente, representavam menos perigo para a segurança do governante do que os profissionais da comunicação social.

 

Que fez Li Keqiang? Perguntem a um jornalista da China

 

Vários minutos se passaram e o burburinho foi aumentando até que, no campo de visão dos repórteres “aprisionados”, aparecia Li Keqiang, cercado por um batalhão de outros jornalistas, de câmaras de televisão e fotografia em punho. Entrou na Pastelaria Fong Kei, onde se deteve vários minutos. O que estaria a fazer? Estaria a provar os típicos biscoitos secos, souvenir obrigatório dos turistas chineses que visitam Macau? Só os jornalistas que estavam do lado de lá da cerca o saberão.

A “caravana” passou e o PONTO FINAL aproveitou uma brecha no controlo da cerca para se juntar aos outros jornalistas que acompanhavam a visita mais de perto. Mas não demorou a chegar a reprimenda: “Estás-te a portar mal. Tinhas que estar ali atrás da cerca”. Mas, então porque é que aqueles outros repórteres podem estar ali? “Ah, esses são da China. Esses a gente não controla”, vinha a explicação, sugerindo que a comitiva da comunicação social proveniente das várias províncias chinesas já estaria controlada à partida.

Da pequena cerca onde se amontoaram os repórteres e para onde o PONTO FINAL então foi levado, já no fim do trajecto, era impossível perceber ao certo o que se passava com Li Keqiang. Mas, a julgar pelo movimento das massas, o governante chinês terá entrado no Cunha Bazaar e, a seguir, noutra pastelaria, a Koi Kei. Entretanto, à “gaiola” dos jornalistas chegava, segura pelo braço por um marmanjo da equipa de segurança, uma repórter do canal de televisão de Hong Kong RTHK, que também tinha escapado ao cerco. Todo o cuidado era pouco, não fosse Li Keqiang ser atingido por uma pergunta furtiva, nos poucos minutos que faltavam para concluir a visita e meter-se num carro para um destino não revelado.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s