Activista de Macau afirma-se vítima de terrorismo político

Membro da Associação de Activismo para a Democracia, Lee Kin Yun foi retido na sua própria. O activista sustenta que foi mantido anteontem em casa por agentes que se recusaram a revelar a sua identificação.

img_4884

Elisa Gao

 

A Associação de Activismo para a Democracia tinha uma manifestação planeada para a tarde de ontem, no Largo do Senado, em apoio aos protestos de Wukan. Mas algo fugiu ao que estava previsto: Lee Kin Yun, activista da associação, apresentou-se no local e hora combinados, mas contou aos jornalistas ter sido vítima, na véspera, de uma experiência “injusta”. Lee alega que foi retido em casa por desconhecidos durante várias horas, até que, com a ajuda do deputado Au Kam San e da polícia, conseguiu recuperar a liberdade. Um episódio que considerou de autêntico terrorismo político.

Eram 8 da manhã de segunda-feira quando Lee Kin Yun foi impedido por um grupo de três ou quatro pessoas de deixar a sua casa: “Disseram-me que não podia sair de casa durante os próximos três dias e disseram que eram encarregados da segurança em Macau”, contou. Como até às 11h não tinha conseguido ultrapassar aquela barreira, ligou aos amigos e ao deputado Au Kam San, que se dirigiu ao local com outros dois amigos, que os homens à porta autorizaram a entrar na habitação.

Mais tarde, quando os quatro tentaram abandonar a casa por outra saída, dois indivíduos correram para os impedir: “Perguntámos porque é que não podíamos ir embora e disseram que eu devia dinheiro, mas eu não conhecia aquelas pessoas de todo. Então, disseram: ‘Estamos só a fazer o nosso trabalho. Não causem problemas’. Continuámos a tentar sair mas não nos deixaram. Por isso, chamámos a polícia”, contou Lee.

Os agentes da Polícia de Segurança Pública chegaram e levaram toda a gente para o Comissariado número 1. Após investigação preliminar, a polícia enquadrou o caso como “disputa de dinheiro”, o que o activista considera ridículo e injusto, por não conhecer as pessoas em questão, nem ter dívidas no valor por elas reclamado e que ascendia a dezenas de milhões de patacas. Lee prometeu escrever ao secretário para a Segurança, Wong Sio Chak a pedir explicações.

O PONTO FINAL ouviu Au Kam San, que assistiu ao desenrolar dos acontecimentos: “A história de que Lee lhes devia dinheiro não passava de uma desculpa”, afirmou o deputado, considerando o episódio uma evidente tentativa de intimidação. “Se uma pessoa quer expressar a sua opinião durante a visita de Li Keqiang, desde que não afecte a agenda do primeiro-ministro e a polícia tiver aprovado o protesto, então essa pessoa não deve ser impedida”, sublinhou o deputado pró-democrata, afirmando-se disponível para testemunhar se o caso vier a ter seguimento na Justiça.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s