Abertura de consulado em Cantão está para breve, mas falta encontrar instalações

António Costa visitou ontem o Consulado Geral de Portugal, onde percorreu ainda as salas e gabinetes do Instituto Português do Oriente e da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal. Em declarações à imprensa, o primeiro-ministro português assumiu que a abertura de um consulado em Cantão acontecerá “tão breve quanto possível”. Falta encontrar as instalações para materializar o que diz ser “uma prioridade” do Executivo que lidera.

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Fotografia: Eduardo Martins

Sílvia Gonçalves

A agenda do primeiro-ministro português apontava a chegada ao Consulado-Geral de Portugal para as 14 horas de ontem, mas António Costa trocou as voltas ao estipulado sobre o papel e às 13h45 já tinha descerrado a placa que assinalava a sua passagem pela casa que acolhe a representação oficial de Portugal no território. Em declarações à imprensa, o chefe do Governo de Lisboa deu conta da abertura, “tão breve quanto possível”, de um outro consulado, o de Cantão. A data não está fixada, mas António Costa diz estar a desenvolver diligências para encontrar instalações, um último passo na concretização do que diz ser “uma prioridade”. Cumprida a caminhada até à Escola Portuguesa de Macau, o governante é recebido ao rubro por crianças que, em ânsias, aguardavam o “ministro António e o ministro Tiago”, ainda que o titular da pasta da Educação só por lá passe amanhã.

Em passo célere, percorre António Costa os corredores do Consulado-Geral de Portugal, onde espreita gabinetes e salas de aula, para cumprimentar aqueles que asseguram o ensino da língua portuguesa no Instituto Português do Oriente (IPOR). No café do IPOR, aguarda-o um grupo de estudantes chineses. Embrulhados em timidez, não arriscam umas palavras em português. Afinal, o porta-voz está definido. Um deles estende ao primeiro-ministro o volume “Viver em Pleno Vento”, uma antologia bilingue que reúne 60 poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen, lançado pelo IPOR em 2015, para assinalar os 11 anos da morte da escritora portuguesa.

A abordagem à abertura de um Consulado de Portugal em Cantão foi repetida pelo chefe de Governo desde o início da visita de cinco dias que cumpre à China e que arrancou no sábado em Pequim. Questionado sobre um prazo efectivo para o estabelecimento da estrutura, Costa não arrisca uma data: “Será tão breve quanto possível. Já está tomada a decisão por parte do Governo, já está acordado com a República Popular da China. Neste momento estamos a desenvolver diligências para termos instalações e podermos proceder à instalação do consulado”, explica. Arredada está a possibilidade da inauguração acontecer ainda este ano: “Não, em 2016 seguramente que não, mas tão rapidamente quanto possível”.

As instalações, assume Costa, ainda não foram encontradas: “Não, estamos ainda a fazer diligências nesse sentido. Mas para nós é uma prioridade e será certamente a próxima instalação consular a ser aberta”. Em 2017? “Vamos ver, tão rapidamente quanto possível”.

Às 15h25, avança António Costa e extensa comitiva pela Rua do Campo, num trajecto a pé que atrai as atenções de quem por ali circula. Avolumam-se as gentes que, ao vislumbrar a moldura humana com aparato oficial, erguem telemóveis e mãos que acenam. Costa retribui.

Na chegada à Escola Portuguesa de Macau (EPM), recolhem-se o primeiro-ministro e as direcções da EPM e da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (APIM) para uma reunião à porta fechada. Cá fora, pululam os meninos do 2º ano. Sónia Carvalho, de sete anos, diz estar à espera “do António Costa, primeiro-ministro de Portugal, e também do Tiago”. O “Tiago”, percebe-se logo depois, é Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação de Portugal, que na quinta-feira se deslocará à instituição.

A curta distância, um grupo de alunos do 12º ano, aproveita uma brecha no horário para espreitar o governante: “Acho que a passagem dele por cá é curta, mas tendo em conta o panorama da visita, que é mais económica e comercial, e sendo a China um importante investidor, é normal que a visita se centre mais nisso”, atira Duarte Torres, aluno de 17 anos, a estudar na área de economia.

No regresso da comitiva, alinham-se em coro os meninos do quinto ano. Uma criança pergunta a Costa se é “irmão de Tiago”. Mais uma vez a alusão ao ministro da Educação, claramente esperado por ali: “Não sou irmão do Tiago, sou só amigo”, esclarece o primeiro-ministro. Das vozes em uníssono dispara agora o hino da instituição: “Para nós a Escola Portuguesa de Macau será sempre imortal, para manter na RAEM o nome de Portugal”. Ainda o fôlego não se repôs e avançam para o hino de Portugal. António Costa acompanha-os, rende-se à afinação do colectivo: “Muitos parabéns, cantaram muito bem. E sabem mais alguma canção? Não? Não? Cantaram muito bem o hino da escola e o hino de Portugal. Adeusinho, Adeus”, acena o primeiro-ministro, em despedida.

Manuel Machado conta ao PONTO FINAL que, na breve reunião com o governante, procurou “fazer um ponto da situação actual da escola, no que diz respeito ao número de alunos, número de turmas, instalações”. Afinal, Costa “nunca tinha cá vindo”, diz o presidente da direcção da EPM, sendo depois abafado pelos gritos das crianças que se despedem daquele senhor que lhes acena, e que apenas conheciam da televisão.

 

 

 

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