Tiroteio na fronteira entre o Myanmar e o Bangladesh fez 17 mortos

 

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As autoridades birmanesas mantiveram ontem sob vigilância aperada o estado de Rakhine, no oeste do país, um dia depois de 17 pessoas terem sido mortas durante um ataque de um grupo armado a três postos da polícia fronteiriça, informa a imprensa local.

Cerca de 90 insurgentes participaram nos ataques que ocorreram no domingo, de madrugada, no distrito de Maungtaw, na fronteira com o Bangladesh, indicou o chefe da polícia birmanesa, Zaw Win, segundo o diário The Global New Light of Myanmar.

Os mortos são nove polícias e oito dos atacantes. Cinco agentes ficaram feridos e dois atacantes foram capturados, assinalou Zaw Win, que acrescentou que foi declarado recolher obrigatório na zona afectada.

O agente referiu-se aos atacantes como “terroristas”, mas evitou confirmar se estes são membros da minoria muçulmana rohingya, perseguida e marginalizada pelas autoridades.

Em Rakhine vivem mais de um milhão de rohingya, uma minoria que reside na Birmânia há vários séculos, mas cujos membros não são reconhecidos como cidadãos birmaneses nem como imigrantes bengalis. Cerca de 120 mil rohingya vivem confinados em 67 campos e são vítimas de todo o tipo de restrições desde o surto de violência sectária em 2012, que causou pelo menos 160 mortos, a maioria rohingya.

O ministro de Estado para os Assuntos Exteriores, Kyaw Tin, indicou que a polícia está a investigar a autoria do ataque e assegurou que não há indícios de que tenha havido qualquer envolvimento do Bangladesh, segundo o mesmo jornal.

Os rohingya são um assunto sensível na política birmanesa, condicionada por grupos radicais budistas que levaram o anterior Executivo a adoptar múltiplas medidas discriminatórias contra este grupo, incluindo a restrição de movimentos.

O Governo birmanês, liderado pela Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, criou em Agosto uma comissão liderada pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan, que vai realizar um relatório com recomendações para solucionar o conflito.

Esta comissão constitui um dos argumentos do Governo dos Estados Unidos para justificar a restauração de benefícios comerciais à Birmânia e anunciar o levantamento imediato de todas as sanções.

Parte das sanções impostas à Birmânia durante os seus regimes militares já foram levantadas após a formação, em Março, de um novo Governo, o primeiro democrático desde 1962, liderado por Suu Kyi.

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