Gestão de Fundo de Cooperação a partir de Macau reforçaria eficácia do Fórum

A reivindicação é velha: um fundo permanente de cooperação gerido a partir do território tornaria o Fórum Macau mais eficaz. Quem o diz é Manuela Amante da Rosa,  primeiro secretário-geral adjunto do Secretariado Permanente do organismo em representação dos países lusófonos. O diplomata cabo-verdiano recupera a preocupação no 13º aniversário do Fórum.

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João Paulo Meneses

Cabo Verde é reconhecidamente um dos parceiros mais activos do Fórum Macau e em boa medida isso deve-se à acção do antigo embaixador Manuel Amante da Rosa, agora em missão diplomática em Roma.

Amante da Rosa foi, aliás, o primeiro secretário-geral adjunto do Secretariado Permanente do Fórum Macau, em representação dos países lusófonos.

Nas vésperas da 5ª conferência ministerial do Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, o PONTO FINAL foi ouvi-lo a partir de Itália.

Mesmo à distância, mas já sem uma posição oficial, o embaixador Amante da Rosa continua com uma perspectiva positiva sobre o  trabalho desenvolvido pelo Fórum: “A RAEM, através das atribuições e papel conferidos ao Fórum Macau, acaba por ter um estatuto privilegiado, diria que ímpar, em termos de relações internacionais, tout court, a nível da República Popular da China, no que diz respeito às suas relações com um grupo específico de Países. Estas extravasam claramente a dimensão administrativa, territorial e humana da RAEM”, defende.

Um exemplo são “os extraordinários fluxos comerciais constatados ao longo dos anos da existência do Fórum, ainda que pense estarem a estabilizar conforme previsões que eu havia feito. Mesmo com a actual crise financeira global os marcos recentes patenteados nas trocas comerciais ainda são significativos”, recorda.

O agora embaixador de Cabo Verde em Itália também elogia “o reforço dos laços culturais”, que “tem sido uma constante e uma preocupação da RAEM. Vale a pena referir-me a este pormenor. Os maiores eventos do mundo lusófono decorriam anualmente, durante uma semana, na RAEM. Algo que a CPLP nunca terá podido fazer com tanta regularidade e importância”, sublinha.

Esta análise muito positiva do trabalho feito nestes 13 anos não impede uma leitura mais crítica, até porque, como diz Amante da Rosa, “poderemos sempre argumentar se não se poderia ir mais além do que se tem presenciado nesses dois domínios na RAEM”. O antigo secretário-geral adjunto do Secretariado Permanente do Fórum assume que ”algumas das interrogações neste sentido até teriam respaldo razoável em termos de melhor objectivar os destinos do Forum, repensar o seu papel e estatuto no actual contexto internacional marcado pela diminuição dos fluxos económicos no domínio comercial”.

 

FUNDO EM MACAU

Amante da Rosa recorda-se bem dos esforços no sentido de ser criado um fundo que financiasse projectos nos países membros, “um projecto em que me empenhei activamente (e sempre desejei!)”.

Recorda por isso, as declarações do primeiro-ministro chinês Wen Jiabao, durante a 3ª conferência ministerial, anunciando um Fundo com o valor de mil milhões de dólares, “ultrapassando todas as expectativas que eu e outros delegados ao Fórum aguardávamos”. O embaixador entende por isso que esse evento foi “um momento alto para o Fórum e para a RAEM. Talvez o mais alto após o retorno de Macau à República Popular da China”.

Apenas falhou que o Fundo tivesse gestão em Pequim e não em Macau. Amante da Rosa bateu-se por isso, “de forma a facilitar o empresariado dos outros países membros, especialmente em questões de língua e colaboração do Fórum nos contactos com o empresariado da República Popular da China: “O seu posicionamento em Macau, na minha modesta opinião, dentro da província de Guangdong e bem próximo da Região Administrativa Especial de Hong Kong, de Shenzhen e de Zhuhai, cidade em franco crescimento e desenvolvimento, daria uma outra dimensão à RAEM e valorizaria o próprio Fórum que precisava de passar para patamares superiores do seu funcionamento abrindo vias para outras actividades de promoção, intercâmbio empresarial e maior ligação às Câmaras Comerciais e Industriais dos Países Membros”.

Amante da Rosa também gostaria que na constituição deste fundo estivessem, “com participação ainda que simbólica, os restantes membros”,  e não apenas a RAEM.:“Talvez se pudesse ter hoje uma outra dimensão desse diamante, que é o Fórum, em sucessivas fases de lapidação que a RAEM tem nas mãos”.

 

VISITAS BILATERAIS

 

Na conversa que manteve com o PONTO FINAL voltou à baila o tema da falta de reciprocidade nas visitas aos países que fazem parte do Fórum. Amante da Rosa foi das primeiras vozes a suscitar a questão, que, pelos vistos, não perdeu actualidade. O diplomata continua a defender que uma visita do Chefe do Executivo da RAEM aos outros países membros do Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa “seria de primordial importância em termos de maior aproximação, relacionamento e conhecimento pessoal das nossas realidades e dirigentes. Não gostaria de me pronunciar, como é óbvio, sobre as razões da não calendarização dessas deslocações, até porque deixei de ser Secretário Geral Adjunto do Fórum há cerca de 5 anos e muita água terá corrido, entretanto, pelo porto interior de Macau. Quero, no entanto, crer que as razões serão fortuitas e se devem essencialmente a acertos de programação entre as partes”, admite

Ainda assim, não deixa de lembrar que “em contrapartida, quase todos os governantes dos Países Membros, a vários níveis, têm feito visitas à RAEM, onde têm prevalecido a ampla abertura de relacionamento e diálogos frutuosos com os dirigentes da RAEM”.

O primeiro delegado de Cabo Verde no Fórum Macau entende ainda que “as visitas periódicas de governantes chineses, incluindo a nível do Chefe de Estado da República Popular da China, aos Países Membros do Fórum Macau, têm de certa forma preenchido essa lacuna”.

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