Costa: Olhos na China, ouvidos em Portugal

Com o orçamento de estado por fechar com o Bloco de Esquerda e PCP, a visita de António Costa à China não dá grande jeito nesta altura. Mas se tem de ser, que venham os negócios…

PM, António Costa visita a República Popular da China
O primeiro ministro, António Costa fala durante a conferencia de imprensa conjunta com o primeiro-ministro da República Popular da China, Li Keqiang, no âmbito da visita de Estado à República Popular da China e à Região Administrativa Especial de Macau, no Palácio do Povo, em Pequim, 09 outubro de 2016. ESTELA SILVA/LUSA

João Paulo Meneses

Se dependesse do primeiro-ministro português, António Costa não teria viajado na passada sexta-feira para a China, para uma visita de cinco dias. Do ponto de vista de António Costa poucas datas seriam mais inconvenientes do que esta terceira semana de Outubro: o orçamento de estado para 2017 tem de ser aprovado na reunião do Conselho de Ministros da próxima quinta-feira, a que o primeiro-ministro português poderá presidir se não houver atrasos no regresso. O avião que transporta o primeiro-ministro luso deverá aterrar em Lisboa de madrugada e – se a reunião se mantiver de manhã – pouco mais dará do que para um banho.

Em Lisboa ficaram os negociadores do Partido Socialista e do governo em diálogo com o Bloco de Esquerda e o PCP, no sentido de obter luz verde para o documento orientador da política portuguesa no próximo ano.

Fontes socialistas têm dito nos últimos dias que o acordo está mais próximo, mas que não está fechado. E é neste contexto, de alguma incerteza, que António Costa deixou Lisboa, confirmou o PONTO FINAL. E como se viu, pela necessidade que teve, já em Pequim, de abordar publicamente o assunto, o tema está no topo das prioridades do líder do Governo.

Em Portugal são poucos os que não acreditam que o acordo não vá ser alcançado, mas uma coisa é estar em Lisboa – e Costa, que já tinha fama de bom negociador, tornou-se exímio na tarefa, ao longo do último ano –, outra a 10 mil quilómetros de distância.

Por isso o primeiro-ministro vai ter os olhos em Pequim, mas os ouvidos vão estar mais direcionados para Lisboa, quer à espera de informações, quer prevendo a necessidade de eventualmente intervir telefonicamente a partir da China.

Adiar a visita foi um cenário que não se colocou apenas porque, ‘tendo’ de estar presente na abertura da 5ª Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, também não fazia sentido vir a Macau por meia dúzia de horas.

 

EM MACAU, COM NOVIDADES

 

Desde 1994, quando Cavaco Silva era primeiro-ministro, que todas as deslocações de Estado à China são dominadas por prioridades económicas. Todos os presidentes da República depois desse momento vieram à China  –  Soares, Sampaio e Cavaco – e raros foram os chefes do governo que falharam Pequim: Pedro Passos Coelho foi uma excepção, por exemplo.

Entre a capital chinesa e Xangai sucedem-se os encontros empresariais, os pequenos-almoços com potenciais investidores e os fóruns para troca de experiências e promoção do mercado.

O que não costuma acontecer é as delegações portuguesas virem a Macau procurar investimento. E isto acontece pela primeira vez com António Costa, ou não estivesse o secretário de Estado da Internacionalização, Jorge Oliveira, envolvido na organização do programa, sabe o PONTO FINAL.

Esta tarde o primeiro-ministro português intervém no “Startup Macau Forum”, onde cinco novas empresas de vertente tecnológica procuram investidores chineses, não necessariamente oriundos apenas de Macau.

 

O “PROBLEMA” DA ESCOLA

Escaldado com situações anteriores, António Costa encontrou forma de não se alongar sobre a Escola Portuguesa, sem, contudo, deixar de se pronunciar, até porque lá vai estar ao início da tarde.

O que o primeiro-ministro português vai dizer é que o seu ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, vem a caminho. Este governante terá assim ocasião de esclarecer ainda esta semana as questões mais polémicas e – sabe o PONTO FINAL – desfazer o equívoco criado pela entrevista do presidente da Associação de Pais ao Hoje Macau: Fernando Silva disse que o Ministério ficará com uma parte do dinheiro da doação da Sociedade de Jogos de Macau, mas tal não corresponde à verdade.

Ao remeter os detalhes para o titular da pasta da Educação, António Costa poderá ocupar-se apenas das grandes linhas orientadoras que norteiam o estabelecimento de ensino. Outro argumento equacionado: as novidades que Tiago Brandão Rodrigues tem para anunciar perder-se-iam no programa da visita do chefe do governo, se tudo acontecesse no mesmo dia.

 

A SURPRESA EM SHENZHEN?

Pela primeira vez uma delegação oficial de Portugal, ainda por cima encabeçada pelo chefe de Governo, vai a Shenzhen. Será na manhã de amanhã, momentos antes de Costa regressar a Portugal.

E o último ponto da viagem até pode ser – do ponto de vista português – o mais interessante: Lisboa tem estado a tentar convencer a Huawei a abrir um centro tecnológico e a assinatura do acordo, ou pelo menos o seu anúncio formal, significará uma importante vitória para o Executivo liderado por António Costa.

Fontes governamentais têm preparado caminho, através da comunicação social, dizendo que Costa, com esta deslocação, ajudará a ultimar as negociações, mas o PONTO FINAL sabe que o processo está muito mais avançado e que só uma surpresa de última hora impedirá que o primeiro-ministro faça a revelação de que o gigante chinês abrirá mesmo o centro tecnológico, com “impacto relevante no emprego em Portugal”, como dizem fontes do governo.

 

 

 

 

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s