Fórum Macau: Triénio 2013-2016 fecha com atribuição da totalidade do crédito preferencial

 

Entre 11 e 12 de Outubro, Macau acolhe a 5.ª Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. A secretária-geral do Secretariado Permanente do Fórum dá como concretizados alguns dos compromissos assumidos no encontro de 2013, como a concessão da totalidade do crédito preferencial destinado aos países lusófonos africanos e a Timor-Leste.

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Sílvia Gonçalves

Foi concedido na totalidade, o montante de 1.800 milhões de yuan em empréstimos com condições vantajosas, destinados aos países africanos de língua portuguesa e a Timor-Leste, acordados no Plano de Acção 2013-2016, saído da 4ª Conferência Ministerial do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa. Grande parte do capital teve como destino o financiamento de projectos em Moçambique, Angola, Guiné-Bissau e Timor-Leste. A garantia foi ontem dada por Xu Yingzhen, a nova secretária-geral do Secretariado Permanente do Fórum Macau. Para o próximo triénio, os países lusófonos apontam para uma maior diversificação da economia, para contornar o actual quadro de declínio nas trocas comerciais.

“Na última conferência foi decidido um total de 1.800 milhões de yuan como crédito preferencial aos países lusófonos em África e Ásia. Pode-se dizer que este montante já foi concedido na totalidade. A China cumpriu o compromisso, realizou alguns projectos em países africanos e em Timor-Leste.”, assegurou ontem Xu Yingzhen, em declarações à imprensa.

Vicente de Jesus Manuel, secretário-adjunto do Secretariado Permanente da organização, salientou que todos os empréstimos concedidos resultam de discussões e negociações bilaterais e especificou que alguns dos projectos em que estes foram aplicados se localizam na zona económica especial de Moçambique. Já na Guiné-Bissau, o financiamento serviu a construção de um centro de saúde, tendo o mesmo acontecido com uma escola em Timor-Leste: “E há outros projectos ainda em estudo, que vão ser financiados no quadro de outras linhas de financiamento, porque os valores são muito elevados”, explicou Vicente Manuel.

Sobre o fundo de cooperação iniciado no arranque do triénio que agora termina, apenas dois projectos foram contemplados: “O fundo já foi utilizado em dois projectos, estão em processo de aprovação três outros projectos. E estão na base de dados cerca de 20 projectos para futura análise de possibilidade. Quem administra este fundo também quer que este seja melhor aproveitado”, adiantou Xu Yingzhen, que diz ter já aproveitado uma reunião interna do secretariado para solicitar aos bancos um maior apoio às entidades proponentes, de modo a que estes consigam aceder ao fundo de forma mais eficaz, evitando falhas nas candidaturas.

“Os empresários quando querem ter acesso aos fundos têm que preparar bem as solicitações. Da nossa parte, estamos a esforçar-nos para ligar o banco que gere os fundos com os solicitantes”, adiantou a responsável, que referiu ainda que os vinte “projectos em reserva” são provenientes de todos os países de língua portuguesa que integram o fórum.

Entre as oito medidas anunciadas pela República Popular da China na derradeira conferência ministerial figurava o destacamento, ao longo deste último triénio, de 210 médicos para os países africanos e da Ásia que integram o Fórum Macau. Um compromisso que, de acordo com a secretária-geral, “está cumprido”. Vicente Manuel complementou, esclarecendo que “também equipamentos e medicamentos” foram enviados para Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor: “A Guiné recebeu em maior número, porque no ano passado foi assolada pela epidemia do ébola, portanto a China redobrou a assistência médica e medicamentosa”, referiu o secretário-geral adjunto, acrescentando que “cerca de 30 milhões de yuan foram alocados para a Guiné-Bissau”.

EXPECTATIVA EM CRESCENDO ENTRE OS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

            Para o próximo triénio, Vicente Manuel aponta a diversificação económica como solução num quadro de acentuado declínio nas trocas comerciais: “Há uma expectativa maior. A conjuntura actual de todos os países não é das melhores, as trocas comerciais estão a declinar em cerca de 19, 18 por cento em relação aos anos anteriores. Portanto, uma das saídas para reverter esta situação, é diversificar a economia dos países de língua portuguesa, que são maiores exportadores de matéria-prima não processada”, salientou.

O secretário-geral adjunto adiantou dois elementos que deverão assumir destaque no Plano de Acção a ser anunciado na 5ª Conferência Ministerial, que decorrerá na próxima semana: “A primeira é a questão de ‘Uma Faixa, Uma Rota’, em que os países todos identificam os projectos, planificam juntos, exploram juntos. Isto é, benefícios mútuos. Esta é uma alternativa nesse quadro. E a segunda é o acordo que se vai criar  – está mencionado no Plano de Acção – que é sobre a capacidade produtiva. Portanto, a expectativa é maior para este Plano de Acção em relação a estes dois aspectos”. Dois pontos que o responsável diz serem “uma alternativa para minimizar os endividamentos”.

Vicente Manuel identifica ainda áreas específicas no desenvolvimento da capacidade produtiva dos países lusófonos: “De uma forma geral, a área das infra-estruturas, energia, agricultura, pesca, turismo, são áreas comuns e de interesse geral”, sintetiza.

 

 

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