Crimes de violência doméstica já ultrapassam os valores do ano passado

A presidente do Instituto de Acção Social justifica o aumento com a nova lei da violência doméstica e apela para que mais vítimas denunciem casos de abuso. Já a irmã Juliana Devoy elogia o Governo por ouvir a população ao classificar o crime como crime público.

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João Santos Filipe

Só nos primeiros seis meses deste ano os casos de violência doméstica registados pelas autoridades já cresceram 20 por cento em comparação com todo o ano de 2015. Entre Janeiro e Junho foram registadas 96 queixas, que envolveram 97 vítimas, enquanto ao longo dos 12 meses de 2015 tinham sido detectadas 80 situações de violência doméstica que envolveram um total de 82 vítimas.

A informação foi avançada ontem pelo Instituto de Acção Social (IAS) durante a cerimónia de lançamento do Mecanismo de Cooperação sobre a Lei de Prevenção e Combate à Violência Doméstica. O artifício que entrou ontem em vigor envolve a ligação entre vários organismos públicos e associações privadas no tratamento dos casos identificados e auxílio às vítimas.

Na opinião de Celeste Vong Yim Mui, presidente do IAS, estes números são positivos e mostram que após a aprovação da nova lei que as vítimas se sentem mais encorajadas a denunciar os casos existentes: “Podemos dizer que este ano já conseguimos ultrapassar a eficácia do ano passado. Esperamos conseguir encorajar mais pessoas a fazer denúncias e pedirem apoio quando enfrentam este problema”, disse a governante, à margem do evento.

“Muitas pessoas têm medo de pedir o nosso apoio, mas estamos a tentar por vários meios convencê-las e a pedirem a nossa ajuda”, frisou.

 

Crianças vítimas em 23 casos

 

Entre os casos identificados nos primeiros seis meses do ano, a maior parte envolve violência entre cônjuges, que totalizaram 65 casos e 65 vítimas. Já a violência com crianças abrangeu 22 casos e um total de 23 vítimas, sendo que casos com idosos e outros membros da família registaram 2 e 7 casos, respectivamente, com o mesmo número de vítimas.

Celeste Vong informou igualmente os jornalistas que actualmente existem dois centros de abrigo para vítimas de violência domésticas e que têm capacidade para cerca de 50 pessoas. Porém no próximo ano vai ser aberto mais um centro.

Presente no evento esteve também a directora do Centro do Bom Pastor, Juliana Devoy, que elogiou a postura do Governo neste caso e a abertura para receber as recomendações da Organização das Nações Unidas sobre a violência doméstica: “É preciso agradecer à Organização das Nações Unidas e ao Comité dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais pelas recomendações que fizeram, nomeadamente para a definição da violência doméstica como crime público”, sublinhou Juliana Devoy.

 

“Estou também muito contente por dizer que o Governo de Macau seguiu por completo as recomendações [da ONU] e merecem os parabéns. Até realizámos uma marcha para agradecer ao Governo porque eles ouvem as pessoas”, frisou.

 

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