Autoridades negaram entrada em Macau a antigo activista de Hong Kong

Um antigo activista político de Hong Kong tentou ontem entrar no território por volta das 14h00, através do Porto Exterior. As autoridades da RAEM negaram a entrada a Fred Lam, justificando a decisão com o facto de o consideraram uma “ameaça à segurança interna”.

fredlam

João Santos Filipe

O antigo activista político e agora escritor sobre viagens Fred Lam Fai foi ontem impedido de entrar em Macau, por volta das 14h00, no âmbito de uma deslocação ao território que tinha por objectivo dar uma aula numa escola secundária. O escritor foi considerado uma “ameaça à segurança interna”da RAEM. Os contornos do incidente foram explicados pelo cidadão de Hong Kong ao PONTO FINAL.

“Viajei hoje [ontem] para Macau para dar uma palestra sobre viagens a um grupo de estudantes. Era um evento que não tinha nenhum aspecto relacionado com política. Mas não fui autorizado a entrar em Macau”, contou Fred Lam Fai.

“Quando cheguei ao Porto Exterior fui aos balcões de imigração. Aí tiraram-me o passaporte e o bilhete de identidade de Hong Kong. Depois, levaram-me para um sala, onde não me fizeram nenhuma questão sobre a minha vinda a Macau. Não me perguntaram nada. Tudo o que fizeram foi pedirem-me para preencher um formulário com informação pessoal. Disseram-me que a minha entrada tinha sido negada e que me iam enviar de volta a Hong Kong no próximo ferry”, relatou.

No entanto, Fred Lam, que seguiu no ferry das 15h00 para Hong Kong, recebeu um papel das autoridades, no qual é apontado como uma “ameaça para a segurança interna” do território. O ex-activista desconfia que a decisão está relacionada com a visita do Primeiro Ministro chinês, Li Keqiang, a Macau para participar na V conferência Ministerial do Fórum Macau.

“Perguntei a razão de me ter sido negada a entrada, e disseram-me para que visse o papel que me tinham entregue. No papel diz que posso ser uma ameaça para a segurança interna e por isso tomaram a liberdade de negar a minha entrada”, relatou ao PONTO FINAL.

“Não me explicaram porque sou considerado uma ameaça à segurança interna. Mas fiquei a suspeitar que se deve ao facto de Li Keqiang ir a Macau na próxima semana. Sabemos que o Governo de Macau tem uma lista muito extensa com os nomes dos residentes de Hong Kong que são activistas sociais.  Quando há grandes eventos relacionados com visitas de políticos do Interior da China, ou períodos como o Primeiro de Maio ou Primeiro de Outubro, a lista surge e começa a ser negada a entrada às pessoas que constam na lista”, explicou.

 

 

Antigo activista político

 

Fred Lam disse ainda ao PONTO FINAL que durante vários anos foi um activista político, mas que desde 2012 – quando se começou a dedicar a viajar pelo mundo e à literatura de viagem – que deixou a primeira linha dos movimentos políticos.

 

“Sou um pró-democrata que até cerca de 2012 foi um activista social muito envolvido nos movimentos sociais em Hong Kong. Mas nos últimos anos tenho focado a minha atenção em viajar e deixei a linha da frente do combate político. Não estou activo a nível político”, afirmou.

“Para mim foi uma surpresa que não pudesse entrar em Macau porque consigo entrar no Interior da China e consegui entrar na RAEM há cerca de dois anos. Fiquei surpreendido”, acrescentou.

O escritor tem dois livros publicados em Hong Kong e tem sido convidado para dar palestras sobre a sua actividade, tendo feito o mesmo em Macau no passado, e noutras regiões. Planeava ficar apenas uma tarde no território, voltando depois para a região vizinha.

“Já dei palestras em Taiwan, na Malásia, Hong Kong e até em Macau. É uma prática muito normal para mim. Mas nunca pensei que o episódio fosse ter estas consequências. Também não me lembrei que a viagem ia acontecer numa altura como esta, até porque não me apercebi da visita”, explicou.

Sobre o tratamento das autoridades, Fred Lam disse que a polícia foi “bem-educada” e que tratou o caso de forma “mecânica”, dizendo que para os agentes se tratou de um caso “sem especial importância”. O escritor rejeitou ainda revelar o nome da escola por não querer que esta fiquei ligada ao acontecimento.

Contactadas pelo PONTO FINAL, as autoridades de Macau prometeram uma explicação sobre o caso para hoje.

 

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