CSI: Macau

As histórias publicadas nesta secção são escritas com base em versão apresentada pelas forças de segurança – PJ e PSP. Salvaguarde-se a presunção de inocência dos envolvidos, aqui identificados apenas com uma inicial arbitrária e sem relação propositada com os seus nomes verdadeiros, e cujos casos ainda não foram julgados em tribunal.

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A cobradora do chicote

 

Dono de uma grande lábia, J. não teve dificuldade em convencer C., uma mulher da China Continental, a investir uma pequena fortuna no seu projecto para abrir uma empresa de investimentos na localidade de Zhongshan, na vizinha província de Guangdong, em 2012. Mas, pouco tempo bastou para que ela se apercebesse de que os dotes de persuasão do homem superavam em muito as suas habilidades como gestor de negócios: a empresa tardava em dar lucro e C. manifestou a sua intenção de abandonar o barco, obrigando J. a comprar a sua parte na sociedade. Mas os problemas de liquidez do empreendedor não lhe permitiam pagar a saída da sócia.

Sem surpresa, a empresa acabaria por fechar as portas em 2014. O tempo passou e a empresária nunca mais viu um tostão do dinheiro que tinha investido. No final de 2015, perdeu a paciência e resolveu passar à ofensiva, exigindo de forma cada vez mais veemente a J. que pagasse de volta o dinheiro que tinha canalizado para o projecto. Ficou convencida de o antigo sócio era um malandro que se tinha aproveitado dela e decidiu que iria fazer com que ele saldasse a dívida, nem que fosse à força. Descobriu entretanto que ele se tinha mudado para Zhuhai e preparou o plano para lhe ensinar uma ou duas coisas sobre ficar a dever dinheiro às pessoas.

Já em Março deste ano, a mulher reuniu um par de capangas que perseguiram e capturaram J., levando-o depois para um hotel em Zhongshan. Ali, o pobre indivíduo foi submetido a um triste martírio, sendo agredido fisicamente e ameaçado até que se decidisse a efectuar uma transferência de 100 mil yuans – 119 mil patacas – para uma conta da credora. Como garantia de que iria pagar o restante, foi ainda forçado a deixar o carro e os seus bens de valor, além de assinar uma nota de dívida.

No dia 22 daquele mês, a irmã de J. deu pela sua falta e apresentou queixa na Polícia Judiciária. Mas o homem voltaria para casa no dia seguinte, ainda com as marcas do castigo a que tinha sido submetido.

Interceptada anteontem quando tentava cruzar a fronteira para entrar em Macau, C. foi detida pela polícia. Encaminhada para o Ministério Público (MP), teve de responder pelos crimes de ofensa simples à integridade física, coacção, sequestro e roubo.

 

 

O código da gatunice

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Semana Dourada. Só o nome desta quadra despoleta um tilintar nos ouvidos de T. e Q., dois desempregados de 30 e 40 anos, que não conhecem forma melhor de arranjar uns trocos do que virem para a rua roubar malas e carteiras de turistas. Anteontem, escolheram o Terminal Marítimo do Porto Exterior.
Pouco passava das 13h quando partiram ao ataque, no seu esquema habitual: um deles aproxima-se de um turista, posicionando-se de forma a cortar-lhe o ângulo de visão para que o comparsa chegue por trás e ganhe acesso à bagagem, com as suas mãos leves.
Acontece que, já a contar com os ataques de carteiristas durante um período particularmente movimentado no terminal, a Polícia de Segurança Pública destacou agentes à paisana com olho treinado para detectar esse tipo de criminosos. Não demorou até que T. e Q. fossem apanhados com a mão na mochila de um turista.
Submetidos à revista, apenas tinham em sua posse um telemóvel que T. jurava ter comprado: “Então marca lá o código”, terá dito o agente. Além de não ser capaz de pôr o aparelho a funcionar, quando tocou no botão para o ligar, apareceu como imagem de fundo a foto de um casal de estrangeiros, opção no mínimo suspeita para um chinês decorar o ambiente do próprio telemóvel.

Agiota também sofre

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Como costuma acontecer aos viciados em jogo que não têm dinheiro para jogar, ou simplesmente não querem entrar em Macau carregando grandes somas em numerário, M., uma desempregada de 43 anos, recorreu aos serviços de agiotas que lhe emprestaram 400 mil dólares de Hong Kong –  412 mil patacas – em fichas de jogo, no domingo.

Entregou-lhes o seu passaporte, carta de condução e ainda ofereceu como garantia as chaves de um carro que alegava estar estacionado num parque em Zhuhai. O empréstimo foi concluído e, enquanto um dos sócios, acompanhava a mulher na jogatana, o outro foi a Zhuhai confirmar se a garantia de quatro rodas era mesmo real.

M.fez duas pequenas apostas e começou a ausentar-se repetidamente para ir à casa de banho, levantando a suspeita do agiota que a confrontou para saber o que ela estava a tramar. Gerou-se uma discussão que chamou a atenção dos seguranças do casino.

Quando a Polícia Judiciária chegou ao local e começou a investigar, as fichas já tinham desaparecido, ficando no ar a ideia de que a mulher as terá passado, durante as suas idas ao WC, a algum cúmplice que estará em fuga. Os documentos que havia apresentado para conseguir o empréstimo eram falsos, comprados em Zhuhai por uma quantia não especificada. Foi detida e julgada por burla e falsificação de documentos.

Um caro amigo

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Ao tentar fazer um pagamento na semana passada, K. ficou admirada quando lhe disseram que o seu cartão de crédito não funcionava. “Como, se ainda está dentro do prazo?”, terá pensado antes de ligar para o banco para averiguar o que se passava. De lá, veio a explicação: o plafond daquele cartão já tinha sido excedido em três transações efectuadas uma semana antes numa casa de penhores.

Sem ter memória de nada parecido, a mulher dirigiu-se imediatamente à Polícia Judiciária para apresentar queixa, depois de ter descoberto que um outro cartão de crédito que tinha havia desaparecido. As investigações da Judiciária concluíram que o principal suspeito era um amigo de K., que teria roubado o cartão em falta e os dados do outro. Os agentes interceptaram o indivíduo e, apesar da sua falta de colaboração, descobriram que ele tinha efectuado, entre 21 e 27 de Setembro, 16 transacções, algumas delas pela Internet, com os cartões da amiga, num valor total que ascendia a 240 mil patacas. O sujeito teve de responder pelos crimes de abuso de cartão de crédito alheio e burla informática.

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