Projecto de intercâmbio teatral coloca Macau e Xangai num mesmo palco

Estão abertas as inscrições para o projecto “Cidades Gémeas”, um programa de intercâmbio e residência artística promovido pelo Centro Cultural de Macau, que nesta edição conta com a  colaboração do Centro de Arte Dramática de Xangai. Encenadores, dramaturgos e actores são chamados a participar numa audição que poderá conduzi-los à produção de um espectáculo com artistas dos dois territórios. O resultado da parceria será apresentado em Macau em Abril de 2017.

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Sílvia Gonçalves

O desafio arranca hoje e dirige-se à comunidade local de encenadores, dramaturgos e actores. O Centro Cultural de Macau (CCM) abriu um processo de selecção de profissionais do universo do teatro interessados em juntar-se ao projecto “Cidades Gémeas”, um programa de intercâmbio que nesta edição será dirigido pelo Centro de Arte Dramática de Xangai (SDAC, na sigla inglesa). Os escolhidos passarão por um conjunto de audições e workshops já em Outubro, a que se segue um período de concepção do guião que servirá de base à construção da performance final. O processo culmina com a deslocação, entre Fevereiro e Março do próximo ano, à capital económica da China, para a produção de um espectáculo que será apresentado em duas partes, em Abril, no Centro Cultural de Macau. Alargar a visão performativa dos artistas locais é o propósito central de um projecto que já passou por Nova Iorque, pela Coreia do Sul e por Taiwan, explica uma fonte do CCM.

“Habitualmente cada edição dura mais de meio ano, creio que a última foi em Hong Kong. Também já enviamos pessoas a Nova Iorque, à Coreia, a Taipé. Em Xangai eles têm um mercado maior, e uma visão mais ampla das artes performativas. Falámos com eles para saber se podíamos ter uma colaboração. Desta vez eles disseram que sim, que podemos fazer algo muito especial”, esclarece a mesma fonte.

As inscrições decorrem até 18 de Outubro, com o processo de audições e workshops a decorrer entre os dias 28 e 30 deste mês. Segue-se o período de elaboração de um texto dramatúrgico que servirá de base à construção de uma peça de teatro. Os profissionais seleccionados deslocam-se depois a Xangai para ensaiar um espectáculo desdobrado em dois, inspirado em histórias nascidas nas duas cidades: “De regresso a Macau, o espectáculo será apresentado em Abril em duas partes. A primeira terá um guião escrito em Xangai, trabalhado por um encenador de Macau e levado à cena por actores de Xangai. Na segunda parte, uma história escrita por um dramaturgo local vai subir ao palco dirigida por um encenador de Xangai e interpretada por actores locais”, pode ser-se na nota emitida pelo CCM. “Quando há uma colaboração conjunta, há uma química, uma faísca. É o que procuramos, é o que é este projecto”, complementa o responsável pela maior sala de espectáculos do território ao PONTO FINAL.

O mesmo responsável apresenta um projecto implementado pelo organismo há quase uma década, que procura contribuir para melhorar o potencial da cena teatral local: “Não diria só melhorar mas enriquecer, porque as pessoas que se juntam a este programa passam por alguns workshops e depois da audição já devem ser bons o suficiente. Mas em Xangai eles têm obviamente uma visão mais alargada, vêm de uma grande cidade, portanto podem dar-nos alguns estímulos. É isso que procuramos, queremos dar uma oportunidade aos de Macau para interagirem com pessoas de uma cidade maior, com uma dimensão internacional, para que possam fazer algo mais sólido”, salienta.

O processo de recrutamento não determina um número de seleccionados: “Não temos um número específico, mas estamos à procura de pelo menos um encenador e de um dramaturgo. Quanto aos actores, não podemos ter um número fixo, depende de quantas pessoas aparecerem, de quão bons forem. Haverá um júri, claro. Há tantos actores, a competição será grande”, prevê a mesma fonte.

Sobre o Centro de Arte Dramática de Xangai, fundado em 1995, o comunicado do CCM salienta que “surge como uma parceria óbvia para mais uma colaboração artística, oito anos depois do CCM ter promovido o seu primeiro programa de intercâmbio. De Copenhaga a Nova Iorque, esta série de colaborações inclui projectos criados de raiz com instituições e artistas de renome no exterior”, recorda.

“Penso que é uma oportunidade muito atractiva, para trabalhar com uma das mais proeminentes companhias da China. Espero que isto atraia pessoas que queiram alargar a sua visão”, salienta o responsável da instituição.

Os seleccionados permanecerão em Xangai por um período de dois meses, já no arranque do próximo ano: “Em Fevereiro e Março eles vão para Xangai. Mas depois de serem seleccionados começam já a trabalhar juntos, com as tecnologias podem manter-se em contacto. E a produção artística final, as duas peças, serão apresentadas em palco em Macau, em Abril”. E quantas noites poderão os dois elencos apresentar-se perante o público do território? “Não está especificado, será pelo menos uma noite. Depende da reacção da bilheteira, queremos ter o mais que pudermos”.

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