“Apenas adoro brincar com as palavras”

A poetisa Jennifer Chang foi a primeira escritora a visitar a Universidade de Macau ao abrigo do acordo firmado esta semana (ver página 13). Ao PONTO FINAL, a escritora, nascida nos Estados Unidos mas com ascendência chinesa, confessa estar agradada com a oportunidade e confessa que Fernando Pessoa é uma das suas referências.

 

Jennifer Chang

Fotografia: Eduardo Martins

Wendi Song

A poetisa Jennifer Chang, professora assistente da disciplinas de Inglês e Escrita Criativa na Universidade de George Washington,  foi a primeira académica a visitar a Universidade de Macau ao abrigo do novo protocolo assinado entre as duas partes. “Soube recentemente que foi estabelecido um acordo entre as nossas universidades, e tive o desejo de vir ver o que pode ser alcançado entre as duas partes”, disse a poetisa nascida nos Estados Unidos, cuja família tem ascendência chinesa.

“Estava curiosa para ver como era Macau”, confessou. “Nunca tinha estado em Hong Kong ou Macau. Já tinha estado em Taiwan, mas nunca na República Popular da China. Tinha muita curiosidade para vir aqui para ver como é”, revelou.

Chang, uma poetisa que foca a sua obra principalmente no modernismo, é a autora de livros como Some Say the Lark e The History of Anonymity. A escritora cresceu rodeada de livros, principalmente em língua inglesa, mas só mais tarde começou a falar o idioma com regularidade: “Nós íamos à livraria pública muitas vezes, mas a língua que falávamos era o chinês. Quando entrei na pré-primária, com quatro anos de idade, fiquei muito chocada e confusa [com a utilização do inglês]. Em casa falávamos sempre chinês”, recorda.

Desde criança, que a linguagem tem sido a paixão de Jennifer Chang. “O meu avô era professor de filosofia; ele tinha muitos livros de poesia e não só em casa. Eu sempre vi esses livres com muita curiosidade… Na altura não me apercebi que eram poemas, mas eram sobre temas como árvores e o vento, que falava com as árvores…”, recorda. “Eu via, lia e amava os poemas mesmo antes de saber que eram poesia. Acho que as crianças têm um sentido intuitivo para a poesia.Agora apenas adoro brincar com as palavras, é tão interessante e incrível encontrar a palavra que corresponde ao que se vê ou que ser quer dizer”, afirmou.

Neste momento Chang está “no início” de uma pesquisa para um escrever um livro sobre o papel desempenhado pelo seu bisavô durante o período da Guerra do Ópio, em Hong Kong.

Ao mesmo tempo, a escritora continua a desenvolver o seu amor pela poesia e por autores como Emily Dickinson e Yeats:  “Estou mais familiarizada com a poesia americana, britânica e irlandesa. A minha educação foi muito ocidental e, por isso, não conheço muito bem a poesia de outros países. Mas costumo ler o trabalho poetas contemporâneos chineses, por exemplo gosto de Bei Dao”, revela.

Como fã do movimento cultural modernista, Chang confessa ainda que o escritor português Fernando Pessoa é igualmente uma das suas referencias.

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