Hong Kong recordou ontem dias intensos do Occupy Central

As maiores manifestações pró-democracia que tiveram a antiga colónia britânica como palco tiveram início há precisamente dois anos. Ontem, o arranque do movimento Occupy Central foi lembrado por dezenas de grupos e partidos políticos.

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Manifestantes pró-democracia assinalaram ontem em Hong Kong o segundo adversário do “Occupy Central”, movimento que levou às ruas milhares de pessoas em defesa do sufrágio universal e que manteve ocupadas algumas zonas da cidade chinesa durante 79 dias.

A ocupação das ruas prolongou-se até meados de Dezembro de 2014.

Ontem, dezenas de grupos e partidos políticos marcaram presença numa concentração que se prolongou por três horas.

Manifestantes abriram guarda-chuvas amarelos – o símbolo do movimento – e observaram três minutos de silêncio às 17:58 locais, quando há precisamente dois anos foi lançado pela primeira vez gás lacrimogéneo contra os manifestantes.

Faixas amarelas de grande dimensão e com mensagens como “Eu quero o sufrágio universal” voltaram a ser colocadas na zona de Admiralty, numa das principais avenidas junto ao Conselho Legislativo e sede do governo, na ilha de Hong Kong, sob o olhar atento da polícia, informou a Rádio e Televisão Pública de Hong Kong (RTHK).

Durante a manhã, os bombeiros removeram de uma zona de montanha uma faixa amarela com seis metros de comprimentos com as palavras “Eu quero o verdadeiro sufrágio universal”.

O movimento de desobediência civil “Occupy Central” foi lançado pelos académicos Benny Tai e Chan Kin-man e pelo reverendo Chu Yiu-ming, para pressionar por reformas políticas, mas os três acabariam por distanciar-se da ocupação das ruas. Os protestos, que passaram a ser conhecidos por “Umbrella Revolution”, foram então continuados por activistas e estudantes como Joshua Wong que, então com 17 anos, ficou conhecido como o rosto das manifestações pró-democracia.

Vários grupos políticos foram formados após a ocupação das ruas em 2014, distanciando-se da tradicional ala dos pró-democratas.

Designados “localists”, estes novos grupos reivindicam uma maior autonomia ou mesmo independência de Hong Kong, com alguns deles a defenderem a radicalização das acções de protesto. Seis jovens ligados a novos grupos foram eleitos deputados no início deste mês.

“Os pró-independentistas vão usar todas as questões pertinentes para vincarem a sua posição”, disse à AFP o politólogo Joseph Cheng.

O LegCo vai ter um primeiro ano “caótico e difícil”, acrescentou, a propósito da próxima legislatura com início em Outubro.

Nathan Law, do partido político Demosisto, co-fundado este ano por Joshua Wong, e considerado moderado entre as novas formações por defender a autodeterminação mas não a independência, vai tornar-se o mais jovem deputado da região chinesa com apenas 23 anos: “É muito importante que as pessoas recordem as razões pelas quais se manifestaram (…), que continuem a manter a fé no futuro e a manterem-se firmes pelas gentes de Hong Kong”, disse Nathan Law à AFP.

A ocupação as ruas em Hong Kong manteve-se até meados de Dezembro de 2014, tendo sido desmantelada sem que fossem atendidas as reivindicações dos manifestantes, que exigiam eleições totalmente livres em 2017 e outras reformas democráticas.

A China insistia que os candidatos às eleições para o chefe do Executivo deviam ser pré-selecionados por um comité eleitoral, condição rejeitada pelos manifestantes.

A proposta de reforma política acabou por ser chumbada em Junho do ano passado.

Ontem em declarações à RTHK, o co-fundador do “Occupy Central” Chan Kin-man disse que a ocupação das ruas deixou uma mensagem positiva que continua a encorajar activistas a “esforçarem-se para encontrar novas formas de lutar pela democracia”.

Chan Kin-man disse ainda que a luta interna dentro do campo pró-democracia pode ter resultado numa mensagem confusa para a população, mas que a “a dinâmica do movimento democrático não morreu”.

Desde a transferência da soberania em 1997 que Hong Kong beneficia de um regime de “ampla autonomia” e teoricamente usufrui até 2047 de liberdades que não são aplicáveis no restante território da China, mas nos últimos anos tem aumentado a preocupação com a interferência de Pequim nos assuntos da região administrativa especial.

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