Contra a opressão, marchar, marchar

 

Oitenta membros da Associação de Reunião Familiar entregaram ontem na sede do Governo uma petição em que pedem que o Executivo demonstre boa vontade e permita a vinda de filhos maiores para Macau. O organismo não tenciona abrir mão da demanda.

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Elisa Gao

A Associação de Reunião Familiar não tenciona abrir mão da luta que vem brandindo ao longo das últimas duas décadas, não obstante os responsáveis pelo organismo considerarem que o Governo tudo fez para lhes sonegar direitos políticos.

A condenação de Lei Iok Lan a três meses de pena suspensa no final de Julho último deixou mossa no espírito de combate da Associação e obrigou a mexidas internas. Tam Ieng Kuong, novo secretário geral do organismo, acusa o Executivo de ter accionado mecanismos de “supressão dos direitos políticos dos manifestantes”, mas a condenação da antiga líder do movimento não bastou para que os manifestantes atirassem com a toalha.

Ontem, 80 membros da Associação reuniram-se frente à sede do Governo para entregar uma petição ao Executivo. No documento, os idosos sublinham que o princípio da reunião familiar não é apenas “razoável”, como também “legal” e apelam à boa vontade do Executivo para que dê, de uma vez por todas, carta branca à entrada dos chamados “filhos maiores” no território.

Cheang Mao Fong, novo presidente da Associação de Reunião Familiar e Tam Ieng Kuong, secretário do organismo dizem que o Governo tem feito de tudo para desmoralizar e demonizar uma luta que se tem eternizando: “Somos um pequeno grupo, temos consciência do que pedimos, mas o Governo tem vindo a suprimir os nossos direitos políticos”, acusa Tam Ieng Kuong.

O dirigente está convicto que as autoridades do território nunca chegaram a discutir a questão dos filhos maiores com o Governo Central e deixou a garantia de que os membros da Associação vão lutar até ao último homem: “O Governo até  pode arranjar forma de nos suprimir a todos, mas enquanto existir uma pessoa nesta situação, lutaremos até ao fim.”

Cheng Mao Fong, por sua vez, insta o Executivo a fazer chegar a questão da reunião familiar ao Governo Central, porque só assim, considera o novo presidente do Associação, “o problema será resolvido”.

Depois de terem entregue a petição na sede do Governo, os 80 manifestantes seguiram rumo ao Gabinete de Ligação do Governo Central no território, onde entregaram o mesmo documento.

Para que os filhos maiores dos manifestantes possam permanecer em Macau, há duas condições essenciais: os pais têm de ter obtido o estatuto de residente antes de 1 de Novembro de 2001 e as filhos não podiam ter idade superior a 14 anos a 1 de Novembro de 2011. De acordo com os dados facultados a este jornal em Março por Lei Iok Lan, a antiga presidente da Associação, ainda persistem 2313 casos que nunca foram resolvidos. Os “filhos maiores” em questão têm agora entre 30 e 40 anos.

 

 

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