Proibição de trabalhadores do jogo entrarem nos casino à espera de consenso

São muitas as vozes que se têm manifestado contra a medida, mas outros já que consideram que seria importante a sua aplicação, para proteger um grupo considerado particularmente vulnerável ao vício das apostas. As sanções a aplicar estão longe de estar decididas.

1-davisfong

Rodrigo de Matos

Tem mais vantagens do que desvantagens e deverá mesmo seguir para a frente, o plano para proibir os funcionários dos casinos de entrarem nas áreas de jogo fora do horário de trabalho. Foi essa a ideia defendida ontem por especialistas e responsáveis do Governo. A medida visa proteger um grupo que as estatísticas mostram estar particularmente vulnerável ao vício do jogo e aguarda agora a obtenção de concordância entre as várias partes envolvidas.

“Não sei quando [a medida] poderá ser implementada. Primeiro temos de reunir o consenso entre os diferentes quadrantes da sociedade, incluindo as operadoras de casinos, os responsáveis do Governo e, claro, os empregados da indústria do jogo, uma vez que é algo que lhes diz respeito”, observou Davis Fong. O director do Instituto para os Estudos do Jogo Comercial da Universidade de Macau (UM) falou à imprensa à margem da cerimónia de lançamento das promoções do conceito de jogo responsável, ontem na Universidade de Macau.

A possibilidade dos empregados dos casinos serem proibidos de entrar nas áreas de jogo fora do horário de trabalho, como medida preventiva contra problemas sociais gerados pelas apostas, tem levantado algumas reservas, sobretudo junto das associações de empregados dos casinos, que alegam conflitos com os seus direitos e liberdades pessoais. Fong contrapõe com o exemplo dos funcionários públicos, também eles impedidos de frequentar casas de apostas: “É uma questão de escolha. Se uma pessoa opta por determinada ocupação, já sabe que terá de se submeter a certas restrições”, observa, reiterando que, a ser implementada, a medida não seria inédita em Macau: “Na verdade, desde os anos 30 do século passado, sob a administração portuguesa, todos os funcionários públicos foram proibidos de entrar nos casinos. Portanto, já temos uma longa experiência no uso desse tipo de medida preventiva, que é isso mesmo, uma medida para prevenir que um determinado grupo de pessoas frequente uma zona considerada de risco”, afirma. Fong sublinha ainda que “é sempre positivo impedir um determinado grupo vulnerável de frequentar os casinos”.

 

Estatísticas confirmam riscos

 

Corroborando a ideia defendida pelo professor da Universidade de Macau, Paulo Martins Chan, que chefia a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ), considera que a medida seria “muito importante” e “no interesse do jogo responsável”. O director da DICJ sublinha determinadas estatísticas que mostram que os dealers têm uma predisposição relativamente alta para desenvolver o vício do jogo.

Relativamente aos receios de alguns croupiers sobre as sanções a aplicar que, temem, possam chegar até ao despedimento, Chan considera cedo para comentar essa hipótese, que ainda não está em cima da mesa, mas também não a descarta à partida: “Depende da situação. Temos de ver. Temos de recolher os pontos de vista das várias partes envolvidas. Temos de ver o quadro todo para decidir o que é melhor”, afirma.

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s