O encontro da sede asiática com a gulodice europeia

Os chás vêm quase todos da China. Os doces, de Portugal. Inaugurada ontem, a Casa da Rocha apela ao carácter de confluência de culturas que é característica própria de Macau. No primeiro dia de funcionamento, os doces conventuais foram reis.

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Fotografia: Eduardo Martins

Rodrigo de Matos

A porta abre, uma cliente entra e saúda em bom português: “Olá! Então, tem ovos moles?” É brindada, em tom animado, com um: “Temos sim!”… e conduzida ao refrigerador onde estão armazenadas as iguarias que dão fama a Aveiro e que exigem condições delicadas de conservação. A freguesa passa por entre as mesas de madeira de design típico chinês mas com tampo decorado com azulejos portugueses. Numa delas, Rui Rocha, o proprietário da recém-inaugurada Casa da Rocha, serve com toda a ciência um chá verde e explana a sua perícia sobre essa arte de tradição milenar.

“Existem na China 136 variedades só de chá verde”, explica o também director do Departamento de Língua Portuguesa e Cultura dos Países de Língua Portuguesa da Universidade da Cidade de Macau. Rocha adianta que na sua nova casa de confeitos portugueses e chás da Ásia – como se define o estabelecimento – estão disponíveis oito das melhores, além de duas variedades de chá branco, uma de chá amarelo, duas de oolong (uma variedade semi-fermentada), duas de chá vermelho, duas de chá preto – cobrindo assim todo o espectro de classificação dos chás chineses – e ainda três variedades de chás florais. Os chás são todos trazidos da China, à excepção de um ou outro, importados da Tailândia e do Vietname.

Situado no espaço onde funcionava a loja de sabonetes Futura Clássica, a Casa da Rocha (que deve o seu nome à “feliz coincidência” de se situar na Calçada da Rocha, e não ao apelido do seu proprietário) propõe um conceito novo, que oferece a possibilidade de apreciar chás de elevada qualidade ao mesmo tempo que introduz em Macau as delícias da doçaria conventual portuguesa, apelando assim ao carácter de confluência de culturas que está no âmago da própria cidade: “Quis explorar a tradição chinesa dos chás com a convergência de algo que fosse português e, como sou um guloso apreciador da nossa doçaria conventual, surgiu esta ideia”, revela em conversa com o PONTO FINAL.

 

O projecto lisboeta que acabou por ficar em Macau

 

Entusiasta de longa data da tradição chinesa de preparar e apreciar um bom chá, Rui Rocha conta que, no início, a ideia era abrir uma casa de chá em Lisboa. “Mas depois, acabámos por decidir ficar em Macau”, onde o mercado das casas de chá não está tão explorado como na China Continental, embora haja já “uma ou duas casas relativamente conhecidas”, nota.

Mas o conceito que pretende introduzir é diferente: “Uma pessoa pode vir à tarde apreciar um chá com os amigos. E um bule, que pode voltar a ser enchido quatro ou mais vezes, de [chá verde] Xinyang Maojian, por exemplo, custa apenas 40 patacas. E se gostar, pode levar um pacote de 50 gramas para preparar em casa, por 90 patacas”, exemplifica. A esposa, que gere o negócio com Rocha, acrescenta que, porque nem toda a gente aprecia chá, “também se pode tomar um café, acompanhado de um doce de ovos moles, por 35 patacas”.

Quanto à doçaria conventual, no primeiro dia de funcionamento da loja, fez furor entre a clientela e superou as expectativas, muito graças à promoção que foi sendo feita através do Facebook. O estabelecimento tem, para já, sete ou oito produtos disponíveis, originários de diferentes regiões de Portugal, onde figuram os ovos moles de Aveiro, as queijadas de Sintra, os pastéis de Águeda, entre outros.

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