António Guterres segura pole-position na corrida à liderança da ONU

O antigo Primeiro-Ministro português liderou as cinco eleições informais para a posição de Secretário-Geral da ONU e está na pole-position para a corrida, defende Rui Flores. No entanto Larry So, explica que na perspectiva do Governo Central, Guterres está longe de ser uma prioridade.

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João Santos Filipe

 

O antigo Primeiro-Ministro português, António Guterres, foi o vencedor das cinco primeiras votações informais para a posição de Secretário-Geral da Organização das Nações Unidas. O feito é visto como um sinal positivo para as aspirações do português, visto que anteriormente o sul-coreano Ban Ki-moon fez o mesmo percurso e acabou por ser eleito.

Porém Rui Flores, gestor executivo do Programa Académico da União Europeia para Macau, explicou ontem, ao PONTO FINAL, que a verdadeira corrida só vai começar em Outubro. Nessa altura é realizada a primeira votação em que se fica a conhecer o sentido dos votos dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, que têm poder de veto e podem chumbar um candidato.

“António Guterres está na pole-position, fazendo uma analogia com a Fórmula 1. Mas só terminámos a sessão de qualificação, a corrida vai começar agora. Os resultados alcançados não querem dizer que ele venha a ganhar”, disse ao PONTO FINAL.

Na última votação, que aconteceu na madrugada de terça-feira em Macau, António Guterres obteve 12 votos de encorajamento, 2 de desencorajamento e 2 sem opinião dos 15 membros votantes. O segundo classificado foi o antigo ministro dos assuntos externos sérvio, Vuk Jeremic, com 8 votos de encorajamento, 6 de desencorajamento e 1 sem opinião.

“Na próxima votação [agendada para 5 de Outubro] vão ficar a conhecerem-se os votos dos membros permanentes. Se algum desses membros for um dos responsáveis pelos dois votos de desencorajamento, as negociações para a sua eleições vão ser muito complicadas”, defendeu.

Contra António Guterres está igualmente o facto das Nações Unidas funcionarem num sistema não-oficial rotativo. Segundo este padrão, seria altura de um membro do bloco do Leste Europeu ser nomeado para o cargo, o que tem sido sublinhado pela Rússia, país que tem sido anunciado como força que pode vetar a eleição do português. Além disso, existe a percepção que deve ser uma mulher a ocupar o cargo.

 

Candidato surpresa improvável

 

Com estas condicionantes, e estando António Guterres na frente da corrida, tem-se falado do surgimento de um candidato que seja apoiado por todos. No entanto, esta possibilidade é vista por Rui Flores como uma “machadada” na credibilidade da ONU.

“Considero que o grande público não aceitaria se surgisse um candidato agora. Esta eleição foi organizada para procurar mostrar uma certa transparência e procedimentos limpos no seio da ONU. Mas se surgir agora um candidato depois da eleição ter começado em Julho, corre-se o risco das coisas correrem muito mal”, defendeu.

Por sua vez, Larry So, académico do Instituto Politécnico de Macau, considera que o aparecimento de um candidato consensual nesta fase “não é muito improvável”.

“Há uma possibilidade, com o início das votações, começaram também as negociações entre os principais países. Eles já estão a alinhar os blocos. A não ser que surja um candidato muito forte e independente, não me parece que vá surgir alguém que que consiga ser apoiado por todos”, afirmou ao PONTO FINAL.

O académico também considera que António Guterres está numa boa posição para a eleição, mas sublinha que na perspectiva chinesa, o português está longe de ser consensual.

“O interesse da China está focado em vários assuntos localizados na Ásia, como por exemplo a questão do Mar do Sul da China ou o conflito com Japão. Portanto, a China não tem interesse em apoiar um candidato mais associado aos Estados Unidos da América ou com o Japão”, explicou.

“A China vai olhar para António Guterres como um candidato que faz parte do bloco europeu e esse bloco não é o mais desejado, principalmente porque ele poder ser permeável a influências europeias e americanas”, acrescentou.

Segundo Larry So na perspectiva do Governo Central o candidato ideal seria asiático, excluindo países como o Japão, ou africano, que são vistos como neutros face aos blocos americano, russo e europeu. É nesse sentido, que o académico admite que a China dê prioridade à eleição de uma mulher.

“A questão de eleger uma mulher não é muito importante para a China. Mas se a eleição de uma mulher permitir eleger um candidato visto como desejável, então a defesa desse ponto vai ser defendido”, frisou.

 

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