Teresa de Calcutá e a China. O sonho que ficou por cumprir

ng7640877

A madre Teresa de Calcutá tinha um sonho: chegar à China. Proclamada santa no início do mês, foi canonizada sem ver cumprido o desejo de estabelecer um centro das Missionárias da Caridade no Continente.

Essa intenção foi transmitida à agência Lusa em Março de 1993, aquando da sua última visita a Macau e Hong Kong, à altura dois territórios administrados por Portugal e Reino Unido, respectivamente. A congregação que fundou trabalha há décadas tanto no território, como na antiga colónia britânica.

O padre Luís Sequeira, jesuíta português radicado em Macau há 40 anos, que privou de perto com a madre, lembra-se bem das tentativas: “Pessoas amigas no interior e fora [da China] pensariam que teria chegado o momento de ir, mas das três vezes não funcionou”, contextualizou, recordando “o princípio de fundo na política da China continental de não permitir congregações de espírito internacional como expressão de Igreja”.

A visão da madre Teresa de Calcutá figurara então, na sua opinião, “quase como “um apelo profundo à própria Igreja”, porque “qualquer um que tenha este desejo de Deus e da evangelização percebe que não pode ficar inerte”: “Então o senhor manda-nos [fazer com] que o povo [o] conheça e há um continente completo sem conhecer a Deus? Estava-se a criar o ambiente para [que tal acontecesse], mas definitivamente não se deu”, sintetizou o padre Luís Sequeira.

A madre Teresa de Calcutá realizou pelo menos uma visita, a título pessoal, à República Popular da China, em Outubro de 1993, tendo-se reunido com o então presidente da Federação Chinesa de Deficientes, Deng Pufang, filho de Deng Xiaoping, para discutir projectos de cooperação: “A Igreja no sentido espiritual não pretende dominar nada”, prosseguiu o jesuíta, considerando que o princípio da China relativamente à Igreja pode ser uma “repercussão” de “situações históricas”, com “abusos de poder” em que a Igreja foi utilizada pelas potências políticas.

O jesuíta português continua a acreditar, porém, que um dia a China vai aceitar a Igreja de Roma, recordando, aliás, que “os últimos papas têm sido muito afirmativos neste desejo da China”.

Oficialmente, existem 24 milhões de católicos na China, o país mais populoso do mundo, com aproximadamente 1.375 milhões de habitantes.

Pequim cortou as relações diplomáticas com o Vaticano em 1951, depois de o Partido Comunista ter tomado o poder e constituído a sua própria igreja fora da autoridade do papa.

No Continente, o culto só é autorizado nas igrejas aprovadas pelo Estado, pela Associação Católica Patriótica Chinesa, que reconhece o papa como um líder espiritual mas rejeita a sua autoridade na ordenação de padres e bispos. No entanto, existem na China igrejas clandestinas que permanecem fiéis ao Vaticano.

Recentemente, a Santa Sé considerou que as relações entre a China e a igreja católica se encontram “numa fase positiva”.

Tentativas anteriores de restaurar as relações têm sido travadas pela insistência chinesa de que o Vaticano volte atrás no reconhecimento de Taiwan e se comprometa a não interferir nos assuntos religiosos chineses.

Macau e Hong Kong são os únicos locais em toda a China onde a autoridade papal na Igreja Católica Romana é aceite.

 

 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s