O Pacífico ao rubro. Manobras militares turvam relações entre Pequim e Tóquio

As Forças de Defesa Japonesas estão desde o fim-de-semana em alerta, depois de bombardeiros chineses se terem aproximado do arquipélago de Okinawa. A manobra, sem precedentes, deixou as autoridades nipónicas.

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Oito aviões militares chineses voaram em espaço aéreo próximo ao arquipélago de Okinawa, no sul do Japão, numa manobra sem precedentes que levou Tóquio a descolar as aeronaves das Forças de Auto Defesa para assegurar a eventual defesa das ilhas.

Pelo menos dois dos aviões chineses que se aproximaram da zona económica exclusiva do arquipélago das Ryukyu eram caças de combate, segundo confirmou ontem à agência de notícias EFE o Ministério de Defesa japonês.

As aeronaves chinesas atravessaram na véspera o estreito de Miyako, entre a ilha homónima e Okinawa, e o Mar da China Oriental, palco de uma tensa disputa territorial entre Tóquio e Pequim, em torno da soberania das ilhas Senkaku, conhecidas pelo nome de Diaoyu, na República Popular da China.

O Ministério de Defesa assegurou que é a primeira vez que aviões de combate do país vizinho atravessam aquela zona. As Forças Aéreas de Auto Defesa reagiram com uma descolagem urgente, como é norma quando existe aproximação de uma ou várias aeronaves estrangeiras.

A frota chinesa, composta ainda por quatro bombardeiros H6 e dois aviões de vigilância, não chegou, contudo, a violar o espaço aéreo japonês, confirmaram as autoridades japonesas.

A operação fez parte de um plano de manobras realizado por Pequim entre o Mar da China Oriental e o Pacifico Ocidental, que contou com a presença de cerca de 40 bombardeiros.

Apesar de não ter sido registada nenhuma violação do espaço aéreo  japonês, as manobras não caíram bem ao Executivo nipónico. O secretário-chefe do Conselho de Ministros japonês, Yoshide Suga, garantiu que se algo do género se volta a repetir, o Japão tomará “medidas duras de acordo com o direito internacional e a lei sobre as forças de auto-defesa japonesas”.

A soberania das ilhas Senkaku, administradas por Tóquio, é fonte de renovadas tensões entre China e Japão, desde que, em 2012, Tóquio nacionalizou vários ilhéus desabitados.

O Japão garante que está presente nas ilhas desde 1895, mas Pequim assegura que tem em seu poder mapas japoneses datados de 1783 e 1785 que identificam o pequeno arquipélago como território chinês.

Depois da Segunda Guerra Mundial, as ilhas passaram a ser controladas pelos Estados Unidos da América, tendo sido transferidas para o Japão em 1972. Taiwan e a China continental defendem que o Japão ocupa ilegalmente as ilhas. O Japão considera que a China e Taiwan começaram a reivindicar o território na década de 1970, depois de se tornar claro que as ilhas eram ricas em recursos fósseis.
 

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