As histórias publicadas nesta secção são escritas com base em versão apresentada pelas forças de segurança – PJ e PSP. Salvaguarde-se a presunção de inocência dos envolvidos, aqui identificados apenas com uma inicial arbitrária e sem relação propositada com os seus nomes verdadeiros, e cujos casos ainda não foram julgados em tribunal.

O clube da droga

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Desempregado aos 55 anos, M. tinha uma vida mesmo aborrecida. Sem qualquer interesse pela realização de actividades saudáveis ou por passar tempo junto à família, este residente de Macau também não acha grande piada ao jogo, pelo que nem os casinos o divertem. Encontrou na droga um escape ao marasmo do quotidiano, alcançando alento nos efeitos estimulantes das metanfetaminas, também conhecidas como “ice”. Bastava uma inalação naquele pozinho branco e cristalino e todos os problemas e preocupações da vida pareciam dissipar-se num instante.

Ao fazerem disparar a produção da dopamina – um neurotransmissor importante no delicado mecanismo de recompensa cerebral – as metanfetaminas provocam efeitos imediatos e prolongados de extrema euforia e estado de alerta. O problema é que é uma droga altamente viciante e o seu uso regular está na origem de estados de paranóia e ansiedade crónica. M. era um indivíduo fora de si, em completo delírio, quando a polícia o deteve.

Interrogado, admitiu ser consumidor da substância e demonstrou cooperação com os agentes, mas a Polícia Judiciária achou que podia estar a esconder alguma coisa, pelo que resolveu realizar uma busca à sua casa. Ali, os agentes da polícia de investigação encontrariam mais do que estavam à espera: no primeiro andar, vários instrumentos habitualmente utilizados no consumo de drogas e um saquinho de plástico contendo ainda 0,54 gramas de “ice” e até aí nada de surpreendente. A descoberta estava no segundo piso: um grupo de três outros indivíduos, igualmente alucinados, faziam do local uma espécie de clube para consumir metanfetaminas: um comerciante de 51 anos, um motorista de 31 e um desempregado de 32 tinham consigo ainda um outro pacotinho de plástico com 0,73 gramas da substância. No total, a rusga permitiu confiscar 1,27 gramas de “ice”, quantidade que custaria no mercado negro algo como duas mil patacas.

Os indivíduos foram todos fazer companhia ao amigo e responder perante o Ministério Público pelo crime de consumo de estupefacientes.

Massagens clandestinas

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A PSP respondia a uma denúncia feita por telefone quando bateu à porta daquele apartamento num edifício da Rua Bispo Enes, perto do casino Ponte 16. Segundo a queixa, de um morador do prédio, os indícios faziam adivinhar que ali estaria a funcionar um negócio de prostituição.

Uma das quatro belas mulheres, com idades entre os 20 e os 40 e poucos anos, que se encontravam no interior da casa abriu a porta e permitiu aos agentes desmantelar o estabelecimento que ali funcionava. Todas elas portadoras de passaporte da China Continental, as quatro beldades admitiram terem apenas salvos-condutos para Macau e Hong Kong e não licenças para realizar actividades remuneradas. Ainda assim, dedicavam-se a executar massagens que custavam 200 patacas por hora e deram a entender que o serviço poderia incluir “algo mais”, consoante a vontade do freguês.

As mulheres aguardam julgamento pelo crime de trabalho ilegal, mas as investigações decorrem para saber até que ponto as suspeitas agiam por conta própria ou se poderia haver outras pessoas envolvidas no negócio.

Cibermalandragem

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Quando abriu a mensagem de correio electrónico, Y. não tinha dúvidas de que o remetente era o seu patrão. Pelo menos, o endereço assim o parecia indicar. Por isso, estava absolutamente convencido de que o homem que lhe estava a requisitar que transferisse 31 mil dólares – 247 mil patacas – para uma conta bancária da China Continental indicada era mesmo o dono da empresa.

Na sua qualidade de gerente, Y. tratou de realizar a operação. Mas, no dia seguinte, um outro email, vindo do mesmo remetente, solicitava nova transferência, desta vez no valor de 770 mil dólares de Hong Kong (793 mil patacas), para a mesma conta. Mas, achando que o valor era demasiado elevado, resolveu telefonar ao patrão para confirmar se ele não se tinha enganado a digitar o número: “Qual email? Eu não mandei email nenhum!”, terá retorquido o empresário, garantindo jamais ter dado por email ordens para fosse realizada qualquer das transferências.

O prejuízo ficou-se pelas 247 mil patacas da primeira remessa e a Polícia Judiciária está a investigar o caso, através da sua divisão especializada em crime informático.

Abusar da sorte alheia

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Os cifrões indicavam que B. estava num dia de sorte: tinha ganhado 1,15 milhões de dólares de Hong Kong a jogar num casino do Cotai e resolveu parar por ali, não fossem os ventos da fortuna começarem a soprar na direcção oposta. Achou que tinha em mãos demasiado dinheiro para transportar na própria mala, pelo que tratou de descobrir uma forma de os transferir para a sua conta bancária na China Continental.

N., que havia conhecido no casino, explicou-lhe que podia fazê-lo através da conta que um amigo, O., tinha numa sala VIP daquele casino. Pôs os dois em contacto e a operação foi realizada. Acontece que, passada uma hora, o dinheiro ainda não tinha aparecido na conta de B., que tentou então, sem sucesso, entrar em contacto com os dois homens para saber o que tinha acontecido. Pôs por isso ao barulho a Polícia Judiciária e, pouco depois, N., desempregado de 35 anos, seria detido quando tentava apanhar um ferryboat, enquanto O., motorista de 35 anos, foi interceptado nas Portas do Cerco. Ambos foram detidos por burla.

 

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